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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Participação do Prof. Doutor Nelson Rosas no IFPB.

Neste mês de setembro o Prof. Doutor Nelson Rosas, foi ao IFPB de Guarabira participar de uma conferência sobre Economia Brasileira e ministrar o minicurso de Crise Econômica para os alunos da instituição.




terça-feira, 25 de novembro de 2014

Hoje 25 de novembro de 2014, ocorreu a apresentação do Observatório Econômico: explicando a economia no Enontro de Extensão da UFPB o ENEX.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Participação do professor Nelson Rosas na TV Câmara.

O Prof. Dr. Nelson Rosas concedeu uma entrevista a TV Câmara, no programa Câmara Debate com o tema capitalismo, comunismo e eleições, onde esclarece alguns conceitos desses dois  sistemas e comenta temas atuais como as eleições. Clique aqui para assistir.


segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Conclusão de curso da pesquisadora Roberta

A pesquisadora do Progeb, Roberta Pereira de Lima, defendeu na quarta feira, dia 20 de agosto, seu trabalho monográfico de conclusão de curso. A monografia é resultado de debates e pesquisas realizadas junto ao PROGEB, sob a orientação do Prof. Emérito e Dr. Nelson Rosas Ribeiro. O tema do trabalho foi a respeito da Desindustrialização. A pesquisadora e agora Economista fez uma análise sobre a situação da indústria do Brasil, identificando a existência do fenômeno e descrevendo suas características. Em breve disponibilizaremos aqui, o trabalho em pdf.


quarta-feira, 4 de junho de 2014

O pibinho do primeiro trimestre



Semana de 26 de maio a 01 de junho de 2014


Rosângela Palhano Ramalho [i]

            Caro leitor, a conjuntura econômica brasileira, como há algum tempo já estamos anunciando, continua em má situação. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, em sua reunião da quarta feira da semana passada, decidiu manter a taxa de juros em 11% ao ano. A decisão pela manutenção já era esperada no mercado financeiro, o maior interessado. Continuamos em primeiro lugar no ranking de maior taxa de juros real do mundo. A taxa, que em outubro de 2012 era de 7,25%, sofreu desde então, aumentos consecutivos. O ciclo de alta cessou, segundo o Banco Central, em virtude do fraco cenário macroeconômico e das perspectivas futuras para a inflação, que, embora continuem acima do centro da meta, mostraram arrefecimento.
            O objetivo do governo é derrubar a inflação e, para isso, usa o único instrumento de política monetária que parece conhecer. Os técnicos do governo acreditam que os altos juros altos podem reduzir o crédito e o dinheiro em circulação. As pessoas físicas e empresas tenderiam a diminuir o consumo de bens e serviços, e com isto os preços deveriam cair. É, portanto, objetivo deliberado do governo, diminuir o ritmo da atividade econômica. Segundo o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, o ciclo de alta dos juros ainda não surtiu em sua totalidade, o efeito desejado sobre inflação. Mas, como era de se esperar, o resultado já foi sentido pela atividade econômica. Juros altos, somados a uma crise mundial ainda não superada, presentearam-nos com 0,2% de crescimento do PIB, no primeiro trimestre do ano, quando comparado ao último trimestre do ano passado. Segundo o IBGE, o consumo das famílias caiu 0,1% e os investimentos, 2,1%. A taxa de poupança diminuiu de 13,7% para 12,7% e a produção industrial recuou 0,8%. Era tudo o que o governo queria! Mas, se isto já era esperado pelo governo, porque o resultado é tratado com desânimo e surpresa?
            O ministro da Fazenda, Guido Mantega, assumiu que o resultado ficou aquém do esperado, mas o governo pretende reverter o cenário apostando no consumo, já que a inflação vai cair e as pessoas voltarão a comprar. Comprar mais, segundo o próprio governo, não gera inflação? Como comprar mais se as famílias estão endividadas? Segundo o Banco Central, os juros dos empréstimos para pessoas físicas subiram em abril, pelo quarto mês consecutivo. Além disso, uma pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, concluiu que a parcela média da renda das famílias correspondente às dívidas foi de 30,9%, em maio. E 62,7% dos entrevistados afirmaram estar endividados, frente a 62,3% registrados em abril.
            Mas, estamos a sete dias da copa! Agora vai! Pelo menos é isto que Mantega espera. Mais uma vez, a expectativa será frustrada. O cenário que se desenha para a atividade econômica enquanto ocorrer o evento, é desanimador. As operadoras de cartão de crédito e as operadoras de telefonia, já anunciaram que os impactos produzidos pela Copa serão negativos, por causa dos feriados decretados. A Electrolux e a Whirpool, produtoras de eletrodomésticos, darão férias coletivas no período da Copa. O setor automobilístico certamente não se recuperará, pois a venda de veículos, em maio, não se recuperou e o setor registrou queda de 11%, quando comparado a abril. Além dos números do setor automotivo, todos os indicadores de atividade já divulgados para os meses que compõem o segundo trimestre, são piores do que aqueles apresentados no primeiro trimestre. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) detectou queda do nível de atividade industrial e o Cadastro Geral de Admitidos e Demitidos (Caged) também apurou números fracos para o mercado de trabalho, com queda na taxa de ocupação.
            Diante disso, as projeções de crescimento para 2014, continuam a cair e passaram a oscilar entre 1% e 1,5%. Mantega continua a se esquivar quanto à sua previsão. No início do ano, o ministro projetava um crescimento de 2,5% e agora está sendo pressionado a assumir a queda para 2,3%. Parece que não há saídas para a equipe econômica. Ou assume de fato, o seu pibinho ou reformula o cálculo do PIB como fez o Reino Unido. Por lá as atividades “produtivas” das prostitutas e dos traficantes de drogas, integrarão o novo sistema de contas. Espera-se um impulso de 10 bilhões de libras esterlinas, cifra que elevará o PIB em até 5%.
            Fica a sugestão ao ministro Mantega. Quem sabe assim a nossa riqueza cresce!


[i] Professora do Departamento de Economia da UFPB e pesquisadora do Progeb – Projeto Globalização e Crise na Economia Brasileira. (www.progeb.blogspot.com)

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Schinellada na presidenta



Semana de 24 a 30 de março de 2014

Nelson Rosas Ribeiro[i]

A presidenta Dilma está na berlinda. A semana foi carregada e promete mais. A primeira schinellada veio da Standard & Poor’s, a temida agência de rating (avaliadora de riscos). Juntamente com as outras duas, a Moody’s e a Fitch estas agências arvoram-se em avaliadoras da credibilidade dos países e empresas e da capacidade que eles têm em saldar seus compromissos financeiros. Há duas semanas, noticiamos a visita da Lisa Schinela, digo, Schineller, inspetora de quarteirão da Standard & Poor’s, que nos visitou para fazer uma devassa nas contas do Brasil. Toda a subserviência dos nossos ministros e das autoridades do Banco Central (BC) não convenceu a senhora. A agência rebaixou a classificação do Brasil de BBB para BBB-, o último nível exigido para conceder o tão desejado “grau de investimento”. As razões alegadas foram: perspectivas de crescimento reduzido nos próximos anos, descontrole da política fiscal com grandes despesas agravadas pelo ano de eleições, baixo superávit primário e suspeita de que a meta de 1,9% não seja atingida, descontrole da inflação agravado pela crise no setor elétrico, aumento da vulnerabilidade externa. Resumindo: perda da credibilidade do governo e de sua política econômica com o agravamento da envolvente internacional adversa. Aproveitando o embalo a Standard & Poor’s rebaixou igualmente de BBB para BBB- as notas de 13 entidades bancárias entre as quais o Banco do Brasil, o Itaú Unibanco, o HSBC Brasil, o Bradesco, o Santander Brasil, o Banco Citibank, o Banco do Nordeste e a Sul América Seguros.
As consequências foram imediatas: instabilidade interna, oscilação na bolsa, elevação dos juros, desconfiança dos investidores, mau humor do mercado, etc.
Outra chinelada na presidenta foi aplicada pela pesquisa CNI/Ibope divulgada na semana passada. 36% dos entrevistados consideraram o governo bom ou ótimo, com uma queda de sete pontos em relação a novembro de 2013. A rejeição ao governo passou de 20%, também em novembro, para 27%. Esta derrota do governo animou os investidores diante do aumento da possibilidade de vitória das oposições ou mesmo do crescimento do movimento “volta Lula”. As condições para a manutenção da candidatura Dilma estão se deteriorando, pois se fala que, ao entrar na faixa de 30% de aprovação, a presidente atingiu a zona de tolerância para sua permanência no páreo.
A situação torna-se mais grave porque não se espera nenhum refresco da economia mundial ainda em estágio de letargia. Na França, os altos impostos e a permanência do desemprego levaram à derrota do governo do Sr Hollande nas eleições locais. A zona do euro continua a preocupar a tal ponto que o conservador Jens Weidmann, presidente do Bundesbank (banco alemão) admitiu a possibilidade do BCE adotar uma política de afrouxamento monetário (Quantitative easing – QE), para estimular a recuperação. Na China a preocupação do governo com a desaceleração levou ao aumento dos gastos em infraestrutura e do crédito, na tentativa de obter 7,2% de crescimento do PIB.
Com a situação interna se deteriorando o governo do PT encontra-se em dificuldades. A economia está em desaceleração enquanto a inflação acelera (será a stagflação?). No horizonte surge a crise energética, os preços das commodities estão em baixa, os escândalos na Petrobrás respingam na Dilma e acirram os ânimos no congresso, estremecendo o bloco de sustentação.
Ora, todos sabem, e nesta coluna muitas vezes temos repetido, que o movimento da economia é cíclico. “Sempre há ciclo de expansão que vai desembocar em crise, e depois haverá período de recessão. Economistas não conseguem cancelar essa lei capitalista inexorável. Quando a economia está em sua expansão, e quando o ciclo é de euforia, como em 2007, economistas esquecem da crise. No início de 2008, o FMI disse que a economia crescia solidamente. Isso de fato não se verificou”. Estas afirmações entre aspas não são nossas, mas do ministro Mantega, em uma aula magna que proferiu na Escola de Economia de São Paulo da FGV no dia 28 passado.
Finalmente Mantega, para justificar o aperto em que se encontra, lembrou-se de uma velha lição dos tempos em que era economista. Atirou a culpa pela difícil situação da economia sobre “inexorável” lei da crise, que não é da sua responsabilidade. Mas, como ele observa que o processo de recuperação está iniciando, ou seja, estamos entrando na fase de reanimação do ciclo econômico, na mesma conferência, ele apresentou a estimativa de que nos próximos oito anos a taxa de crescimento médio do PIB será de 4%. Embora otimista esta taxa é viável, no entanto, o nosso ministro agora esqueceu as lições de economia, pois a fase de reanimação do ciclo não dura mais do que três anos.


[i] Professor Emérito da UFPB e Coordenador do Progeb – Projeto Globalização e Crise na Economia Brasileira progeb@ccsa.ufpb.br); (www.progeb.blogspot.com).

terça-feira, 25 de março de 2014

O abismo econômico e os juros do Brasil



Semana de 17 a 23 de março de 2014


Rosângela Palhano Ramalho [i]

            Caro leitor. A economia brasileira “não está à beira do abismo”. Ufa! É o que diz Paul Krugman, economista renomado em visita ao Brasil. O país que ficou de joelhos com a visita de Lisa Schineller (quem?) vai sobreviver à crise, assim como todos os outros. Mesmo que as agências estrangeiras de rating (aquelas que avaliam os riscos dos países) rebaixem a nota do Brasil, o mundo não vai acabar por causa disso e um acontecimento é certo: sobreviveremos a elas. Dentre os emergentes, segundo Krugman, o foco não deveria estar no Brasil já que, a China, é quem está em permanente desequilíbrio. Se o gigante chinês tombar, teremos problemas, já que exportamos para lá commodities e o peso deste item é duas vezes maior que o peso das exportações de manufaturados. Mas, o leitor assíduo da nossa análise já sabia disso.
            Claro que o governo brasileiro pode amenizar os efeitos da crise ou simplesmente agravá-los. Vimos, acompanhando a gestão de Dilma e testemunhamos todos os esforços possíveis e inimagináveis que foram feitos para fazer repetir o PIBão de 2010. Mas, com a crise mundial e a corrida ascendente dos juros, tem sido impossível repetir o feito.
            Nesse clima, a grande “novidade” da semana concentrou-se nas especulações sobre a próxima decisão do Copom. Bastou o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, ir à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE) para que o “mercado” ficasse em polvorosa. A autoridade monetária logo anunciou a escalada do preço dos alimentos. Esta alta, provocada pela seca, foi detectada através da divulgação da segunda prévia do IGP-M de março que registrou inflação de 1,41%, puxada pelos preços dos alimentos no atacado e também pelo IPC da Fipe, que, na segunda quadrissemana deste mês, subiu 0,68%, com os alimentos respondendo pela metade da variação.
            Sobre esta questão, foram estas as palavras de Tombini: “Em princípio, trata-se de um choque temporário e que tende a se reverter nos próximos meses. Mesmo assim, a política monetária deve atuar de modo a garantir que os efeitos desse choque se circunscrevam ao curto prazo”. Os analistas do português e das mensagens subliminares do Banco Central, logo se puseram a “decifrar” o comunicado, desta vez, oral, da autoridade monetária. Conclusão: fica em aberto o fim do ciclo de aperto monetário. Outra frase dita reforça esta conclusão: “em momentos como o atual, a política monetária deve se manter especialmente vigilante, de modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação persistam no horizonte relevante para a política monetária”.
            Os termos atuação e vigilância deram o tom do discurso de Tombini. O “mercado” feliz comemora a provável elevação dos juros e elogia a independência do Banco Central. Antes mesmo do término da fala de Tombini, as perspectivas sobre o juro futuro começaram a subir. Prestes a comemorar um ano, o arrocho monetário deve continuar e a expectativa é de uma nova elevação dos juros em 0,25 pontos percentual, o que nos manterá no pódio de economia com os maiores juros do mundo e local mais atrativo para especular.
            O curioso é que, mesmo considerando a elevação do preço dos alimentos, que seria temporária, fato que logicamente provocaria uma inflação de oferta, o Banco Central continuará a usar o aumento da taxa de juros como remédio para evitar que esta alta se dissemine para o restante da economia. O purgante usado para combater a inflação de demanda, também combate a de oferta embora comprometa seriamente o crescimento, já débil, da economia brasileira.
            Tombini ainda frisou que a política de juros altos tem efeitos retardados e cumulativos, por esta razão, a resposta dos preços ainda não aconteceu. Esta observação contradiz o novo aperto. Parece-nos mais sensato que o Banco Central espere a manifestação dos efeitos antes de divulgar uma nova decisão. E se não há nada que nos condene por termos uma inflação fora do centro da meta, segundo o próprio Tombini, a decisão torna-se ainda mais insensata.
            Mas lembre, caro leitor, que a instituição está sob os olhares inquisidores do “mercado” e de um batalhão de Lisa’s. E se estes forem contrariados, o discurso inflamado de que o Banco Central não é independente e não é claro em seus comunicados, retorna.
            E o crescimento? Que crescimento?


[i] Professora do Departamento de Economia da UFPB e pesquisadora do Progeb – Projeto Globalização e Crise na Economia Brasileira. (www.progeb.blogspot.com)

quarta-feira, 19 de março de 2014

Um país de joelhos



Semana de 10 a 16 de março de 2014

Nelson Rosas Ribeiro[i]

Ela vem aí! Tremei, senhores! Preparei vossas bundas que Lisa acaba de chegar e com a schinella na mão. È visível o nervosismo geral. Correm esbaforidos ministros, secretários, diretores, funcionários (até o encarregado do cafezinho). O governo está em polvorosa. Mas, quem será a Lisa? Garanto que não é a presidenta dos EUA, nem a secretária geral da ONU, nem a generala comandante das forças atômicas da OTAN, nem uma ET que aterrou distraída. Então por que ela põe um país de joelhos?
Por mais inacreditável que pareça, e para vergonha nossa, Lisa Schineller é uma reles economista da agência de rating Standard & Poor’s que vem “dissecar as contas do Tesouro” e “conversar” com as autoridades locais ameaçando rebaixar a classificação do Brasil, de BBB e retirar o “grau de investimento” que nos concederam desde 2008. Como os leitores sabem, existem três grandes agências que fazem a classificação do risco que os países apresentam para pagar seus compromissos: a Fitch (que já enviou seus fiscais) a Moody’s (que os enviará em abril) e a Standard & Poor’s que se encontra em pleno processo de fiscalização comandada pela temida Lisa. Aos pés dessa senhora derrete-se o ministro Mantega e toda a sua equipe prestando contas do dever de casa realizado. O Banco Central também é chamado à ordem. Seu presidente, o Tombini, Insaciável, Schineller continua seu périplo por Brasília, São Paulo e Rio ouvindo economistas, banqueiros, executivos, diretores de empresas e do setor financeiro. Nem a Petrobrás e o BNDES escapam das schinelladas da madame.
Esta é uma demonstração do poder do capital financeiro. É preciso dar garantias aos especuladores que todos continuarão pagando os juros a fim de obter novas esmolas. Temos um país vergonhosamente de joelhos ante o novo deus do planeta. Estamos todos pagando as penitências e prometendo um bom comportamento futuro para que, uma empresa de idoneidade duvidosa, não rebaixe a classificação do país.
Enquanto oramos e trememos o velho mundo continua a sua marcha. Nos Estados Unidos, o novo vice-presidente do Federal Reserve (Fed) banco central americano, Stanley Fischer, recomenda a manutenção de uma política monetária expansionista para não prejudicar a claudicante recuperação. No Japão, com medo da recente elevação do IVA (imposto sobre valor acrescentado), de 5% para 8%, o BC manteve a compra de ativos no valor de 60 a 70 bilhões de ienes, apesar do volume em carteira já ultrapassar um trilhão de ienes. Na Itália, o novo primeiro ministro Matteo Renzi sinaliza para o fim da austeridade, provocando irritação nas autoridades da Comissão Europeia que exigem o cumprimento dos compromissos assumidos. Na China, a situação continua a agravar-se com a desaceleração de todos os setores da economia nos dois primeiros meses do ano e o primeiro caso de insolvência de uma empresa incapaz de pagar US$ 14,7 milhões de juros de empréstimos contraídos. Suspeita-se que este será o primeiro de uma sucessão de outros estouros pois as dívidas das empresas e governos locais ultrapassam centenas de bilhões de dólares. As consequências espalham-se pelos mercados da Ásia com a venda precipitada de ações das empresas chinesas e queda nos preços das commodities que o país importa.
Resumindo tudo isto, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento (OCDE) divulgou sua previsão sobre a desaceleração das economias dos emergentes e a expansão moderada da economia mundial. O Banco Internacional de Compensações (BIS) alertou para o perigo da elevação das taxas de juros nos emergentes (conselho que nosso BC não ouviu) ao mesmo tempo em que chamou a atenção para o montante global dos títulos de dívidas que já ultrapassa os US$ 100 trilhões, 42% maior que em 2007. Cálculos feitos pelo Instituto Internacional de Finanças (IIF) mostram que a dívida total do mundo, incluindo os setores públicos e privados, chega a US$ 223 trilhões, ou seja, 313% do PIB mundial.
No Brasil a produção industrial continua a rastejar e, em ano eleitoral, a presidente Dilma vem sendo pressionada a fazer uma política econômica de austeridade.
E no meio disto tudo, e das chantagens políticas, ela precisa ganhar as eleições!


[i] Professor Emérito da UFPB e Coordenador do Progeb – Projeto Globalização e Crise na Economia Brasileira progeb@ccsa.ufpb.br); (www.progeb.blogspot.com).