segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Ministro conta piada e cai do cavalo


Semana de 10 a 16 de setembro de 2012


Nelson Rosas Ribeiro[i]




A piora da situação internacional, finalmente, está provocando a ação drástica das autoridades responsáveis pelas políticas monetárias e fiscais dos governos de todo o mundo.
Nos EUA, o Federal Reserve (Fed), banco central americano, decidiu intervir novamente, no mercado, sob a forma de um novo “afrouxamento monetário” (quantitative easing), o QE3. Isto significa que vão imprimir mais dólares para “aumentar a liquidez do mercado”. O Fed pretende retomar a compra de títulos podres até um montante de US$ 40 bilhões, por mês, sem prazo definido para terminar, ou melhor, até que o “mercado” se recupere.
E não ficou só. O Banco Central Europeu (BCE), vencendo a resistência dos conservadores alemães, também passará a intervir no mercado comprando títulos das dívidas soberanas dos países mais necessitados, os pigs, em primeiro lugar. Com isto pretende dar credibilidade aos títulos e assim reduzir os juros pagos pelo financiamento dessas dívidas, no “mercado”, é claro. O grande empurrão para isto foi a decisão da Corte Constitucional da Alemanha, que aprovou a criação do European Stability Mechanism (ESM), fundo de emergência temporário destinado ao socorro aos mais necessitados. Este fundo disporá de €$ 500 bilhões para cumprir sua missão. Mas o problema europeu não está resolvido com isto. Comenta-se que, destes 500, €$100 bilhões estão comprometidos com o socorro aos espanhóis, restando apenas €$400 bilhões para todo o resto, incluindo a Itália. A pior notícia, porém, vem das previsões sobre o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), feitas pelo BCE. Segundo estas, o “crescimento”, para 2012, será negativo, entre 0,2% e 0,3%. Para 2013, o BCE prevê entre, 0,3 negativos e 1,4% positivos. Os leitores sabem que o “crescimento negativo”, para os economistas, é mesmo DECRESCIMENTO. O desespero atinge todos os BCs do mundo e o lamento é geral: os manuais de economia não estão fornecendo as respostas para superar a crise. Apesar de não haver declaração explícita, nas entrelinhas, torna-se evidente que todos admitem que ela é de superprodução, e o que se pretende é provocar o aumento da demanda, quer das empresas, dos governos ou das famílias. Já há quem defenda que, para obter este resultado, todas as soluções são válidas, mesmo as mais radicais simbolizadas no “jogar dinheiro de helicóptero”.
Apesar dos esforços do governo Dilma, esta situação está tendo fortes repercussões, no Brasil. Mesmo aparentando haver certa tranqüilidade, no mercado de trabalho, a produção industrial está estagnada, alguns setores demitem, o crédito é limitado, etc. As preocupações do governo cresceram ao ponto de conduzir o teimoso ministro Mantega a rever as suas previsões para o crescimento do PIB, deste ano. No final do ano passado, o ministro afirmava que o crescimento deveria chegar perto dos 5%. Já em janeiro, quando o mercado calculava em 2,9%, Mantega reduziu suas previsões para algo entre 4,0% e 4,5%. A partir de junho, o BC já calculava o número em 2,5%, sob as críticas do ministro de que os cálculos estavam mal feitos e ele acreditava que superaríamos os 2,7%, de 2010. E quando o Banco Credit Suisse estimou em 1,5% a taxa, Mantega considerou-a “uma piada”. Logo depois o ministro passou a fixar seu número mágico em 3%. Finalmente Mantega caiu do cavalo, ou melhor, caiu na real. Reduziu sua previsão, de 3%, para 2%, quando o mercado já as estima rigorosamente em 1,62%. Onde está a piada?
A solução, agora, é correr contra o prejuízo. Está justificado assim, o pacote de bondades com que o governo presenteia o setor empresarial: prorrogação das reduções de impostos, desoneração das folhas de pagamento, mesmo a custa do “rombo da previdência”, (que ninguém fala), redução dos juros, liberação de linhas de financiamento, redução das tarifas de eletricidade, etc. Justifica-se a irritação da presidente Dilma, com as críticas do “mercado” e de algumas empresas do setor elétrico, que reagiram mal ao novo plano de redução das tarifas que, convenhamos, beneficia a todos.
            Haja ingratidão!


[i] Professor do departamento de Economia, Coordenador do Progeb – Projeto Globalização e Crise na Economia Brasileira progeb@ccsa.ufpb.br); (www.progeb.blogspot.com).

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Globalização e crise na economia


Semana de 03 a 09 de setembro de 2012


Rosângela Palhano Ramalho [i]



            Desde 2008, que a crise é assunto predominante no noticiário econômico e tem pautado a agenda de praticamente todos os governos do mundo. Estamos em 2012, e o tema está longe de ser encerrado. A globalização torna a crise cada vez mais integrada: começou nos Estados Unidos, afetou a Grécia e contaminou a Europa, comprometeu o crescimento dos emergentes e desacelerou o gigante chinês.
            A crise europeia se arrasta, e a situação econômica da Espanha vem exigindo que o Banco Central Europeu tome medidas adicionais para garantir a liquidez da região. Nos Estados Unidos, o presidente do Fed, BC americano, ressalta que só uma situação de emergência justificará um novo afrouxamento monetário. Em agosto, a produção industrial caiu pelo terceiro mês consecutivo, e as estatísticas geram dúvidas acerca da recuperação.
            No Brasil, o cenário também é incerto. As montadoras de caminhões seguem interrompendo a produção. A Mercedes-Benz paralisou as atividades em São José dos Campos. A fábrica da Ford adotará até este mês a semana curta, de quatro dias de trabalho. A Scania parou por 16 dias entre abril e julho. As dificuldades estão se estendendo para os fornecedores, que estão desempregando seus trabalhadores.
            A produção industrial cresceu apenas 0,3% em julho, comparado a junho. Este resultado só não foi negativo em 0,5% por causa dos incentivos à indústria automobilística e aos produtos da linha branca. Nos setores exportadores, a queda da produção foi mais expressiva em virtude da diminuição da procura externa. Do ponto de vista das compras externas, dados divulgados pelo IBGE apresentam um cenário preocupante: a produção doméstica vem perdendo cada vez mais espaço para as importações. No segundo trimestre de 2011, a participação, no PIB, da indústria extrativa e indústria de transformação representava 18,6% do total. Já no segundo trimestre deste ano, esta participação caiu para 17%. Em contrapartida, aumentou o peso das importações, no mesmo período, passou, de 14,2%, para 16,6%. A queda da participação da indústria no PIB justifica a queda de 0,3%da Formação Bruta de Capital Fixo nos últimos 12 meses terminados em julho.
            As más notícias não cessam. O Boletim Focus do Banco Central revisou para baixo, pela quinta vez consecutiva, a previsão de crescimento do PIB. A estimativa caiu, de 1,73%, para 1,64%. Embora o governo acredite em retomada do crescimento no segundo semestre do ano, o panorama geral reforça a descrença de que isto ocorrerá, apesar da redução dos juros, da desvalorização do câmbio e dos benefícios tributários concedidos à indústria. Pelo menos por enquanto, permanece o cenário de crise.
            Mas, no cenário local, temos uma novidade para anunciar. O PROGEB - Projeto Globalização e Crise na Economia Brasileira, do Departamento de Economia da Universidade Federal da Paraíba, comemorará, em grande estilo, os seus 10 anos de existência. O acontecimento comemorativo terá como tema central a atual crise econômica e seus efeitos políticos, econômicos e sociais no Brasil e no mundo, e em particular, na União Europeia. O evento internacional, intitulado ENCONTRO LUSO-BRASILEIRO SOBRE GLOBALIZAÇÃO E CRISE NA ECONOMIA, será realizado no Auditório 211 do Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA) da UFPB, Campus I, João Pessoa, nos dias 17 a 21 de setembro de 2012. Marcarão presença no evento professores, profissionais e autoridades, de Portugal e do Brasil, com comprovado reconhecimento nas suas respectivas áreas. O Encontro inclui em sua programação a realização da Assembleia Universitária para a outorga, ao Professor Nelson Rosas Ribeiro, do título de Professor Emérito da UFPB, proposto pelo Departamento de Economia. Além disso, será lançado o livro “Questionando as teorias da dependência e da financeirização: o Brasil na encruzilhada do desenvolvimento do capitalismo”, de autoria do professor Frederico Jayme Katz.
            O PROGEB, que nasceu em 2002, dá vida à coluna semanal Análise & Conjuntura Econômica deste jornal e tem como principal objetivo estudar a evolução da economia brasileira contemporânea integrada na economia mundial. As atividades serão abertas ao público em geral e fica aqui o nosso convite. Para maiores informações, consultem os endereços: www.progeb.blogspot.com e www.facebook.com/PROGEB.


[i] Professora do Departamento de Economia da UFPB e pesquisadora do Progeb – Projeto Globalização e Crise na Economia Brasileira. (www.progeb.blogspot.com)

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Convite para o ENCONTRO LUSO-BRASILEIRO SOBRE GLOBALIZAÇÃO E CRISE NA ECONOMIA


O PROGEB convida a todos para participar do ENCONTRO LUSO-BRASILEIRO SOBRE GLOBALIZAÇÃO E CRISE NA ECONOMIA, que será realizado no Auditório 211 do Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), campus I, João Pessoa, nos dias 17 a 21 de Setembro de 2012 e contará com a participação de Professores convidados de Portugal e do Brasil.

Os palestrantes são profissionais e autoridades com comprovado reconhecimento. O Encontro constará de palestras e mesas redondas. Estas atividades serão abertas ao público em geral, sendo as vagas limitadas pelo espaço disponível no auditório.

O Encontro inclui em sua programação a realização da Assembleia Universitária para a outorga, ao Professor Nelson Rosas Ribeiro, do título de Professor Emérito da UFPB, proposto pelo Departamento de Economia e aprovado pelo CONSUNI/UFPB. Além disso, será lançado o livro “Questionando as teorias da dependência e da financeirização: O Brasil na encruzilhada do desenvolvimento do capitalismo”, de autoria do professor Frederico Jayme Katz.


PALESTRANTES CONVIDADOS:

Palestrantes Locais

Prof. Nelson Rosas Ribeiro (Fundador e Coordenador do PROGEB) 
Prof. Lucas Milanez de Lima Almeida (Professor de Economia da UFPB; Membro do PROGEB)
Prof.ª Rejane Gomes Carvalho (Professora de Economia da UFPB; Vice-coordenadora do PROGEB)
Prof.ª Rosângela Palhano Ramalho (Professora de Economia da UFPB; Membro do PROGEB)
Prof.ª Elivan G. Rosas Ribeiro (Professora aposentada da UFPB; Membro do PROGEB)
Prof. Ivan Targino Moreira (Professor de Economia da UFPB)
Prof.ª Wanderleya dos Santos Farias (Professora de Economia da UFPB; Membro do Projeto Trabalho, pobreza e políticas públicas)
Prof. Nílton Pereira de Andrade (Professor de Engenharia Civil da UFPB)

Palestrantes Nacionais

Prof. Marcelo Dias Carcanholo (Professor de Economia da UFF; Representante da SEP)
Prof. Frederico Jayme Katz (Professor aposentado da UFPE; Líder do Grupo de Pesquisa Desenvolvimento Regional e Integração)

Palestrantes Internacionais

Prof. António Augusto de Ascenção Mendonça (Ex-Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações de Portugal; Professor Catedrático do Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa (ISEG-UTL)
Prof. António Carlos dos Santos (Ex-Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais do Governo de Portugal; Ex-Vice-Presidente do Grupo do Conselho da União Europeia sobre o Código de Conduta sobre a Fiscalidade Direta das Empresas; Professor da Universidade Autônoma de Lisboa)
Carlos Henrique Graça Correia da Fonseca (Ex-Secretário de Estado dos Transportes do Governo de Portugal; Consultor do Banco Mundial)

Segue a programação com os conferencistas confirmados:




terça-feira, 4 de setembro de 2012

A verdade sempre vem bater à porta


Semana de 27 de agosto a 02 de setembro de 2012


Eric Gil Dantas [i]




Há três meses, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, dizia ser uma piada a previsão de crescimento de 1,5% para o PIB brasileiro em 2012, feita pelo Credit Suisse. No entanto, nesta última sexta-feira, o IBGE divulgou o resultado do crescimento desta variável no segundo trimestre, em relação aos três meses anteriores: 0,4%. Em relação ao mesmo período do ano passado, a taxa foi de 0,6%. Já a indústria teve queda de 2,4%, se comparado ao mesmo período de 2011, sendo o pior desempenho, o da indústria de transformação: um retrocesso de 5,3%.
Depois da divulgação destes números, Mantega ainda não quis fazer suas grandes previsões. A realidade novamente colocou em xeque qualquer tentativa de mistificação da conjuntura econômica feita pelo governo.
A lucratividade das empresas está sendo afetada por este desaquecimento na economia. No conjunto das 245 principais empresas listadas na bolsa, houve uma queda de 70% nos seus lucros, constituindo o pior segundo trimestre desde 2002, segundo um levantamento feito pelo Valor Econômico.
Já os estoques chegaram a patamares recordes. Eles são os maiores desde 2008, pico da crise financeira mundial. Em levantamento feito com dados de 200 companhias de capital aberto, os estoques chegaram a R$141,58 bilhões no fim de junho, 8% a mais que o volume de doze meses antes. No setor de transporte, que envolve empresas como a Gol e a ALL, os números são mais preocupantes. Registrou-se um avanço de 79% dos estoques em relação ao mesmo período de 2011.
Outra má notícia é que a Vale deverá cortar cerca de 20% dos seus investimentos para 2013. Desanimada com o preço do minério em queda até agora, o investimento da empresa deverá ser R$4 bilhões a menos do que neste ano de 2012.
Tentando reverter a situação na economia nacional, o governo continua com a aplicação de políticas anticíclicas. Agora o BC, mais uma vez, cortou a SELIC em 0,5%, reduzindo-a para 7,5% a.a. Mas, o COPOM avisa que poderá ser a última queda no ciclo de afrouxamento monetário iniciado em agosto de 2011. Existe apenas espaço para mais um corte de no máximo 0,25%, caso seja extremamente necessário.
O cenário internacional, por sua vez, continua a não animar em nada nossas perspectivas futuras. A China, principal parceira comercial do Brasil desde 2009, continua a desacelerar. O PIB chinês cresceu apenas 7,6% no segundo trimestre, menor avanço em três anos. Com isto, pelo quarto mês seguido, o lucro no setor industrial caiu.
Ainda na Ásia, o Japão já rebaixa suas projeções para o crescimento deste ano, quando provavelmente terá uma recessão. O JPMorgan Securities prevê uma retração anualizada de 0,3% no PIB japonês para o próximo trimestre. Já o BNP Paribas estima queda de 0,9%. Na Coréia do Sul, os ventos contrários que afetam as economias asiáticas derrubaram, em 6%, as importações dos sul-coreanos, demonstrando a perda de impulso da demanda interna do país.
Na Europa, a Fiat anuncia cortes da produção na planta italiana, devido à queda da demanda, colocando 2,5 mil empregados de licença. A Volvo, na Suécia, reduzirá a produção, de 57, para 52 veículos por hora. Estas duas seguiram a GM e a Ford, que também anunciaram cortes de produção na Europa recentemente.
Já os problemas fiscais ainda continuam os mesmos no velho mundo. A Catalunha pede socorro ao governo central da Espanha para evitar calote, anunciando que necessitará de uma ajuda de €5 bilhões. Em Portugal, as coisas também não melhoraram. Os mais recentes dados orçamentários mostram que a receita governamental está abaixo da meta, com queda de 3,5%, o que alimenta temores da necessidade de um segundo socorro aos lusitanos por parte da União Europeia. A coisa está tão feia que a temporada de caça à sonegação fiscal, prática responsável pela evasão de €2 trilhões de euros por ano aos cofres públicos, finalmente começou.
            Mas a caça a um Al Capone qualquer não será a salvação. Estamos mesmo condenados a aguentar estas crises cíclicas enquanto vivermos no sistema capitalista.


[i] Economista e pesquisador do Progeb – Projeto Globalização e Crise na Economia Brasileira (progeb@ccsa.ufpb.br); (www.progeb.blogspot.com).

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Economia paralisada e luta pelo crescimento


Semana de 23 a 29 de agosto de 2012


Nelson Rosas Ribeiro[i]


                                                                                   

Entra dia, sai dia; entra semana, sai semana e tudo continua na mesma. Isto é o espelho da economia mundial. Nada temos a mudar nas nossas análises. Apenas acrescentar fatos. Para não aborrecer os leitores, referiremos apenas as manchetes.
A Grécia piora e pede mais prazos e redução da penitência que lhe foi imposta: o país afunda na recessão. A Espanha, com o sistema financeiro abalado e problemas sociais insolúveis, adia o pedido formal de ajuda que implicaria em mais restrições. A Itália aumenta o coro dos endividados que apelam ao Banco Central Europeu (BCE). O PIB da zona do euro, que já havia caído 0,2% entre abril e junho, ameaça continuar em queda no terceiro trimestre, configurando uma recessão. O PIB alemão cresceu apenas 0,3% no segundo trimestre, e o Banco Central (BC) do país espera uma piora na situação no segundo semestre. Apesar disso, diante do pânico geral, a Alemanha conseguiu vender €4,083 bilhões em títulos com juros zero. A busca pela segurança empurra os especuladores desesperados a aceitarem esta remuneração. Os EUA continuam indefinidos. A única coisa que continua a crescer entre os analistas é a preocupação com a desaceleração da China. Já se fala na possibilidade de um “pouso forçado” de sua economia e, para complicar, o déficit da previdência social do país contribui para ampliar as tensões sociais.
Algumas esperanças, porém, surgem no horizonte com as promessas do BCE de comprar os títulos dos países europeus endividados e os rumores de mais um “afrouxamento monetário” do Federal Reserve (Fed), banco central estadunidense. Isto foi o bastante para os mega especuladores afiarem suas garras. Fala-se na existência de €60 bilhões de euros já disponíveis para “aplicação” em créditos podres. A roda da ciranda financeira não pode parar. Se algo sair errado, recorre-se aos BCs amigos.
A situação mundial tem repercussões no panorama nacional. A economia rasteja no lamaçal das dificuldades. No entanto, as eleições se aproximam, e urge mostrar ao eleitorado um quadro econômico positivo, uma vez que a onda de greves dos servidores públicos ameaça o prestígio do governo e o ambiente político está tumultuado pelo julgamento do mensalão e pelas mancadas do ex-presidente Lula, que deu para ameaçar ministros dos tribunais superiores de justiça e interferir nas eleições locais do PT (veja-se São Paulo com o caso do Haddad).
A pretendida recuperação da economia encontra dificuldades e os sinais de recuperação são tímidos, apesar dos esforços da equipe econômica do governo. A luta pela redução dos juros continua enfrentando a sabotagem dos bancos. A batalha pela estabilização do câmbio está sendo renhida, mas tem conseguido manter o dólar dentro da faixa de variação desejada ($R1,90 a $R2,10 reais). Novas desonerações fiscais estão sendo preparadas e prometidas, juntamente com outras medidas de estímulo.
Para variar, algumas nuvens negras da inflação pairam no horizonte, o que se reflete no movimento dos especuladores, que tentam se livrar dos títulos indexados à Selic e preferem papéis indexados à inflação. 
Na semana, o governo obteve duas grandes vitórias. A sua política econômica recebeu aplausos quase unânimes dos empresários reunidos na cerimônia promovida pelo Valor Econômico, para o lançamento do anuário “Valor 1000” em São Paulo. Boa parte deles prometeu manter seus programas de novos investimentos para 2013, confiantes nos resultados do governo Dilma.
A segunda veio do apoio dos economistas reunidos na Fundação Getúlio Vargas (FGV), no 5º Encontro Internacional da Associação Keynesiana Brasileira (AKB), em São Paulo. Várias vozes se levantaram elogiando as políticas de contenção dos juros e controle do câmbio praticadas pelo governo e alertando para o meio envolvente mundial hostil ao projeto brasileiro de crescimento.
            E a realidade tem comprovado esta situação. No mundo globalizado, todas as economias estão interligadas e não haverá saída isolada para ninguém. Estamos todos no mesmo barco. Ou nos salvamos juntos ou seremos solidários no naufrágio.


[i] Professor do departamento de Economia, Coordenador do Progeb – Projeto Globalização e Crise na Economia Brasileira progeb@ccsa.ufpb.br); (www.progeb.blogspot.com).