segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Economia Brasileira (Administração - Noturno) - Notas

Deixamos disponível para download, em formato pdf., as notas da disciplina Economia Brasileira (Administração -Noturno), período letivo 09.1.


Download - Economia Brasileira (Administração - Noturno)


Economia I - Notas

Deixamos disponível para download, em formato pdf., as notas da disciplina Economia I (Diurno), período letivo 09.1.


Download - Economia I (Diruno)

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Otimismo ou Realidade ?

Semana de 20 a 26 de Julho de 2009

Uma das medidas mais tradicionais para conter a crise, a redução do preço do dinheiro, vem sendo exaustivamente usada e já se aproxima do esgotamento.
Com efeito, em trinta países, este preço caiu para níveis preocupantes, e em 15 deles é negativo. Neste momento, vive-se a “síndrome do pânico” de um regresso da inflação. A Valor Data elaborou uma tabela, envolvendo 45 países, com dados da Bloomberg e com as estimativas de preços do relatório World Economic Outlook do FMI. 15 deles, entre os quais se encontram a Rússia, o Reino Unido e Israel, apresentam taxa de juro real negativa; outros 15, entre os quais estão a Índia, o Japão e o México, apresentam taxas que variam entre zero e 1%; e apenas oito deles, incluindo o Brasil e a China, têm taxa de juro real acima de 4%.

Este quadro é apenas uma pequena parte do cenário em que se move a economia planetária nos tempos atuais.
Mas, como em um refrão, a imprensa repete reiteradas vezes que estamos a sair da crise!
Em que pese a visão otimista do Presidente do Banco Central americano (Fed), Bem Bernanke, para quem a economia americana “parece estar melhorando”, a conseqüência mais grave da crise, o desemprego, continua mantendo-se a uma taxa de 9,5%. De 2007 até hoje, 6,5 milhões de trabalhadores ficaram desempregados. Eles representam 4,7% da força de trabalho ativa da América do Norte, o que vem colocando em sérias dificuldades a rede de proteção social. Segundo a estatística, um em cada nove americanos depende de vales-alimentação do governo, e o número total dessas pessoas cresceu 6,2 milhões desde o início da recessão.
A taxa de desemprego para os adolescentes é também, no momento, muito grande. Em Julho ela foi de 22%, estando aqui incluídos os empregos temporários de verão.
Será isso um sinal de que a economia está virando a página?
Noutros cantos do planeta, ao que tudo indica, o quadro é semelhante. Entre abril e junho deste ano, o PIB do Reino Unido sofreu retração de 0,8%, acumulando uma queda de 5,8%, se comparado com igual período de 2008. Na Espanha, o desemprego cresceu e atingiu 17,92% no segundo trimestre.
Neste contexto, a China aproveita como pode a sua situação particular de ser possuidora de grandes reservas. Utiliza os seus dólares para adquirir empresas em vários países do mundo seguindo o que parece ser assumidamente o lema do governo chinês: “ir para fora”! Nessa linha de ação, vem realizando investimentos em campos de petróleo no Iraque, nos negócios da Opel e General Motors (GM), na Alemanha, numa fábrica de equipamentos na Nova Zelândia, numa loja de departamentos no Japão e numa companhia de petróleo na Suíça.
Aqui, no patropí, cresce o déficit comercial da indústria, que passou a importar uma maior quantidade de componentes. Apesar do discurso oficial, o realismo nos leva a admitir que a saída da crise ainda está longe. O cenário não é positivo. As exportações no setor automobilístico caíram 48% entre janeiro e junho deste ano. No geral, os embarques de produtos industriais cairam 27%, os de Máquinas e Equipamentos, 32%; os do setor de vestuário e calçados, 29,6%, enquanto aumentaram as importações do vestuário em 32%.
Dois setores parecem fugir deste quadro geral: o setor de armas e o setor de automóveis. No caso dos automóveis, podemos responsabilizar a redução do IPI pelo aquecimento do mercado. O caso das armas merece uma análise mais detalhada que não nos propomos fazer agora.
Já a situação do setor sucroalcooleiro parece mais preocupante. Apesar de todo o berreiro sobre os bio-combustíveis, as usinas do Nordeste apresentam-se com uma dívida de cerca de R$ 7,5 bilhões e possuem receita estimada em R$ 5 bilhões na atual safra. Essa não é uma crise específica na região Nordeste. Ela manifesta-se também na parte do setor que se encontra localizada no Centro-Sul. Em que pesem as vantagens competitivas desta região face a primeira, a dívida das usinas oscila entre 0,7 e 1,5 do faturamento.
Em situação difícil encontram-se também as siderúrgicas, que, no Brasil, seguem a norma do mundo. Projetos encaminhados ao BNDES que orçavam em torno de R$ 53 bilhões foram cancelados. Entre as empresas que recuaram de sua demanda estão a Usiminas e a Açominas, de Ouro Branco (MG).
Algumas modificações estão a ser introduzidas nos contratos de encomendas com as mineradoras. Os preços, que antes eram fixados anualmente, vão passar a ser acertados trimestralmente, com grande tensão entre os fornecedores e a China, que, apesar de ser também um grande produtor líquido de aço, é o principal cliente mundial.
No setor financeiro os lucros continuam em expansão. O BMG, por exemplo, o 26º em ativos totais, fechou o primeiro semestre com um lucro líquido de R$ 176 milhões, 16,3% superior aos obtidos em igual período de 2008. Enquanto a rentabilidade dos bancos é comemorada, a FIESP, manifesta-se descontente com o corte na taxa de juro que foi considerado muito tímido, por não beneficiar o setor industrial.
No geral, a situação da indústria, o Patinho Feio da história desde o início do governo PT até o começo da crise, parece muito delicada. O caixa do setor inspira preocupações e para encontrar soluções e acomodações para preservação de alguma liquidez, esperam-se algumas medidas nada ortodoxas. Numa pesquisa que atingiu 147 empresas, realizada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, FIESP, entre março e abril deste ano, constatou-se que 38% delas admitiam a hipótese de ter que deixar de honrar os seus compromissos. Pela ordem, a primeira vítima seria a receita federal, com o não pagamento dos impostos (53% das empresas entrevistadas). Em seguida viriam os fornecedores (27%) e bancos (21%). De acordo com a pesquisa, 61% das empresas pediram alargamento de prazo, de 32, para 47 dias, para os pagamentos aos seus fornecedores. Na outra ponta, os clientes também pediram ampliação de prazos, de 37, para 57 dias, segundo revelaram 78% das empresas pesquisadas. Por outro lado, a inadimplência continua a uma taxa de dois dígitos. De outubro de 2008 a março de 2009, as pessoas jurídicas inadimplentes aumentaram em 28% e, entre abril e maio deste ano, o crescimento foi de 17%.
Como se vê, ainda não chegamos ao fundo do poço.
Enquanto tudo isso acontece, a previsão do Ministério da Fazenda para o crescimento do PIB em 2009 é de 0,5%, com destaque para a participação dos setores de extração mineral, construção civil e serviços.
E, para terminar, ainda bem que o Ministro Carlos Mink deu um “chega pra lá”, mandando de volta os contêineres de lixo que nos foram presenteados pela Inglaterra. Como se não bastasse a crise, sorrateiramente (ou à socapa, como diria o português), tentou-se transformar o país na lixeira do planeta, agravando a situação do meio ambiente.
Haja externalidades!!!
E para não cair no desespero e acalmar os espíritos, o melhor que temos a fazer é entregar a alma a Deus e cantar com Marcelo D2:


“O rei mandou a gente se ajudar
O rei mandou o povo agilizar
O rei mandou a gente olhar pra frente...”



Texto escrito por:
Elivan Rosas Ribeiro:
Professora do Departamento de Economia da UFPB e Pesquisadora do PROGEB – Projeto Globalização e Crise na Economia Brasileira.


Arquivo para download em formato pdf.

Economia I - Calendário de apresentação dos trabalhos

Deixamos disponível para download, em formato pdf., o calendário de apresentação dos trabalhos da cadeira de Economia I - Diurno, período 09.1.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Flexibilização e precarização no novo mundo do trabalho

Semana de 13 a 19 de julho de 2009

Em sua última reunião, o Comitê de Política Monetária do Federal Reserve (Banco Central dos Estados Unidos) decidiu manter a meta para a taxa básica de juros entre zero e 0,25% ao ano. Esta decisão teve como base a constatação de que, embora o ritmo da desaceleração tenha sido suavizado, a economia norte-americana continua fraca e vulnerável. Segundo a ata da referida reunião, houve uma melhora na confiança do consumidor e dos empresários e um aumento do consumo que foi atendido recorrendo-se aos estoques. Entretanto, a debilidade do mercado de força de trabalho, a diminuição da renda e as dificuldades na obtenção de crédito permaneceram como fatores de contração da atividade econômica.
No Brasil, o ministro do trabalho, Carlos Lupi, afirmou que não há hipótese de ser negativa a criação de empregos formais ao final do segundo semestre. A boa perspectiva do ministro em relação ao mercado de força de trabalho brasileiro está fundamentada na idéia da retomada do crescimento ainda este ano, ou seja, num excesso de otimismo que não possui uma base concreta de sustentação. Apesar das tentativas de encobrir a realidade, os números sobre a eliminação de empregos e a precarização das condições de trabalho no Brasil e no mundo continuam incômodos.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o emprego industrial recuou 0,5% na passagem de abril para maio. Esta foi a oitava queda mensal consecutiva. Em relação a maio do ano passado, o indicador registrou uma queda de 6%. No acumulado do ano, o emprego na indústria encolheu 4,7% e, nos últimos 12 meses, a redução foi de 1,1%. No total, 17 dos 18 segmentos pesquisados enxugaram seu quadro de funcionários. Os impactos negativos mais significativos foram: vestuário (queda de 10%), meios de transporte (9,6%), produção de metal (11,3%) e máquinas e equipamentos (9,1%). No campo das previsões, analistas do mercado financeiro consultados pelo banco central brasileiro esperam uma retração menor do PIB do país para este ano. A projeção, apesar de continuar negativa, passou de -0,50% para -0,34%.

Pessoal empregado na indústria: índice(*)
* Para melhor visualização do gráfico clique sobre a imagem.

Fonte: Dados retirados do http://www.ipeadata.gov.br

Pessoal ocupado assalariado(*)
* Para melhor visualização do gráfico clique sobre a imagem.

Fonte: IBGE (http://www.ibge.gov.br) - Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário

Neste cenário, observa-se, ao mesmo tempo, que o crescimento do desemprego em nível global só não foi ainda maior devido à grande intervenção dos governos em suas economias, na tentativa de salvar empresas insolventes da falência, e aos acordos realizados entre as empresas e os sindicatos. Esses acordos contemplam medidas "criativas", possibilitando uma flexibilidade ainda maior na utilização da força de trabalho. Um dos exemplos mais notórios foi o da companhia aérea British Airways, uma das maiores da Europa, que solicitou aos seus funcionários que trabalhassem de graça durante um mês, para evitar demissões. No final das negociações, apenas 800 empregados aceitaram a proposta, cerca de 4 milaceitaram licenças não-remuneradas e 1,4 mil concordaram em trabalhar apenas meio período. O fato é que isso originou, mesmo que temporariamente, uma nova categoria de trabalho dentro de uma empresa capitalista: o trabalho voluntário. Até agora, este tipo de trabalho era muito conhecido em organizações não-governamentais e outras instituições sem fins lucrativos, mas não, pelo menos que se tenha tido notícias, em grandes corporações capitalistas.
Atualmente, por todo o mundo, o medo do desemprego preocupa os trabalhadores que ainda continuam empregados, pressionando-os a aceitar acordos que dão maior "flexibilidade" ao mercado de força de trabalho. Por outro lado, precarizam e degradam as condições de vida do trabalhador desrespeitando completamente alguns dos seus principais direitos, como as férias remuneradas. Para tornar ainda mais grave a situação, o quadro adverso apresentado pela realidade econômica contemporânea, paralisa os movimentos sociais e os deixa com uma capacidade de reação muito pequena.
Na tentativa de influir na situação, foi elaborada uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC 231/95) que, depois de ser aprovada recentemente na Câmara dos Deputados, atualmente tramita no Congresso Nacional. Esta proposta trata da redução da carga de trabalho semanal, de 44, para 40 horas semanais, sem diminuição dos salários. Estipula ainda o aumento do adicional de hora extra, de 50%, para 75%. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), teoricamente, a redução da carga em 10% teria o potencial de criar até 2,57 milhões de postos de trabalho, mas, na prática, pode ter efeito nulo sobre o mercado de força de trabalho. Conforme a entidade, em média, a folha de pagamentos representa 22% dos custos industriais totais. Isto significa que a redução da carga horária implicaria um aumento médio no custo final de produção de 1,99%. Nas atuais condições, mesmo que a PEC seja aprovada, nada garante que o nível de emprego irá crescer e, por outro lado, as empresas continuarão tendo a sua disposição brechas na lei para reduzir os custos com o trabalho.
Outra medida adotada pelo governo, cujos efeitos já estão sendo sentidos, foi a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que tem aumentado as vendas de carros. A fábrica da General Motors (GM) de São Caetano do Sul, em São Paulo, anunciou a abertura de 50 vagas de trabalho, três dias após ter saído a concordata da GM nos Estados Unidos. A montadora irá chamar um grupo de empregados que havia dispensado no início do ano. Ainda não se sabe por quanto tempo será o contrato desses novos trabalhadores, mas terão preferência os empregados que já trabalharam na empresa com contrato temporário.
No que se refere à indústria nacional em seu conjunto, a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) registrou que, em grande parte, a produção local substituiu os insumos importados por insumos domésticos, devido ao câmbio mais desvalorizado em relação ao mesmo período do ano passado. No primeiro semestre, a compra de insumos no exterior, como aço e borracha, caiu 22%.
Para conseguir sobreviver na crise, dentro das empresas a palavra de ordem é, cada vez mais, a redução de custos. Parece, portanto, que a discussão da redução da jornada de trabalho veio à tona em um momento inadequado, fase em que a atividade econômica está contraída, já que, como sabemos, a economia não pode ser controlada pela criação de emendas constitucionais ou decretos impossíveis de serem cumpridos por não serem coerentes com a realidade e, assim, se distanciarem dela.
A realidade econômica é objetiva e regida por leis que independem da vontade dos homens. A política econômica, no máximo, pode contribuir para reduzir impactos mas nunca para aboli-los.

Texto escrito por:
Diego Mendes Lyra: Mestrando em economia, Professor Substituto do Departamento de Economia da UFPB e pesquisador do Progeb – Projeto globalização e crise na economia brasileira.
progeb@ccsa.ufpb.br

Arquivo para download em formato pdf.
Download