sábado, 20 de setembro de 2014

Textos para a disciplina de Economia Política III

É com grande satisfação que deixamos disponível para os usuários do blog, dois textos (em formato pdf.) elaborados pelo professor Nelson Rosas Ribeiro. Os textos têm como tema central a crise econômica, e são frutos de vários anos de estudo. Uma vez que Marx não conseguiu sistematizar uma teoria acabada das crises, o objetivo principal do professor Nelson Rosas Ribeiro foi o de formular uma teoria marxiana das crises, com base no que Marx deixou indicado ao longo d'O Capital e da Teorias da mais-valia.

Os alunos de Economia Política III devem possuir esses dois textos, pois serão utilizados no decorrer do curso.

Download - A crise atual: acidente ou necessidade?
Download - Da crise às flutuações: ciência ou ideologia?

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

O “mercado” manda e nós obedecemos

Semana de 08 a 14 de setembro de 2014

Rosângela Palhano Ramalho [i]

            Faltando poucos dias para a eleição, os candidatos à presidência travam embates em relação à área econômica. O que surpreende é que não há nada de novo nas propostas apresentadas pelos três primeiros colocados. Todos são assessorados por economistas que partilham da mesma visão: a de que o tripé macroeconômico (regime de metas de inflação, câmbio flexível e metas de superávit primário) é o melhor remédio para a saúde da nossa economia. Até mesmo a candidata à reeleição, que não adota o mecanismo em sua plenitude, sequer cogita assumir que o abandonou ou que não o considera a melhor alternativa.
            O que não podemos esquecer é que continuamos numa conjuntura de crise. O resgate do tripé exigirá sacrifícios que acentuarão ainda mais a recessão no país. Ainda mais com uma situação econômica que só piora. O novo Boletim Focus projeta, para 2014, um crescimento do PIB de apenas 0,5%. A inadimplência continua a subir. Segundo levantamento do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), o número de consumidores com contas atrasadas subiu 5,09%, em agosto, comparado a agosto do ano passado. E em relação a junho, este indicador cresceu 0,28%. O setor automobilístico continua a registrar queda das vendas e seus representantes passaram a admitir um declínio de dois dígitos, no fim do segundo semestre.
Para os candidatos de oposição não há nada a fazer a não ser os ajustes, as reformas necessárias ou, melhor dizendo, o arrocho. O arrocho permitirá, segundo eles, combater o baixo crescimento econômico, a alta inflação e o alto déficit em conta corrente. Além do cumprimento total do tripé, o “mercado” e a maioria dos economistas, consideram que se houver liberdade econômica e clareza no comunicado das instituições governamentais, liberar-se-á, no futuro, uma maior capacidade produtiva, que permitirá um crescimento “sustentado”, pois os “investidores” ficarão mais confiantes e dispostos a investir.
Conclui-se então, a partir desta argumentação, que a crise que amargamos foi causada por erros dos gestores da política econômica e não das condições objetivas que fazem parte da evolução do processo econômico e, que, não por acaso, se repetirão continuamente.
Os economistas e os analistas do “mercado”, maliciosamente, continuam a pressionar e a responsabilizar o governo pela crise e pela piora dos “fundamentos macroeconômicos”. Esta marcação cerrada já rendeu a demissão antecipada do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Acusado de ser irresponsável em suas decisões e de partilhar de uma visão “desenvolvimentista”, o ministro deverá sair do cargo, como bode expiatório, abandonado por Dilma e por Lula.
Enquanto isso, o “mercado”, que já havia “marinado”, mantém a pressão costumeira e continua a especular sobre o candidato que melhor atenderá, quando eleito, os seus interesses.
            Esta semana, cerca de 500 clientes do Bank of America Merrill Lynch (BofA) reuniram-se em um hotel em São Paulo, para que os coordenadores da campanha do PSB apresentassem o programa de governo da candidata Marina Silva. As propostas, segundo os participantes, agradaram. Mas não bastou. O mesmo público ainda quer ouvir a candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) e o senador mineiro Aécio Neves (PSDB).
Depois desta, pareceu despropositado o embate que acontece entre Dilma e Marina sobre os vínculos com os bancos e o crescimento dos lucros bancários. As duas candidatas se autoacusam: Marina acusa a presidente e seu antecessor de ter propiciado o aumento significativo dos lucros dos bancos e Dilma acusa a adversária, por receber o apoio de Neca Setúbal, herdeira do banco Itaú.
Para se ter ideia da influência do setor financeiro, a agência de rating Moody’s revisou de “estável” para “negativa” a perspectiva da nota de crédito do Brasil. Segundo a instituição o crescimento baixo, a piora nos indicadores da dívida e a piora das expectativas dos investidores, motivou a mudança. Um detalhe é que esta revisão só se concretizará daqui a 12 ou 18 meses. Mesmo assim houve uma pressão imensa para que a presidente se pronunciasse. Ao lamentar a possível decisão, a presidente declarou que sempre desejou o melhor para o Brasil, mas que diante da conjuntura, os esforços não foram suficientes.
Só nos resta a lamentar que o Brasil continue de joelhos frente ao mercado financeiro.
Quando é que os interesses do povo serão discutidos?



[i] Professora do Departamento de Economia da UFPB e pesquisadora do Progeb – Projeto Globalização e Crise na Economia Brasileira. (www.progeb.blogspot.com)

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Mais uma dor de cabeça para a campanha eleitoral da presidenta.

 

Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/charges/index.phtml?foffset=1&offset=&ch=Paix%E3o.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

“Neste momento” o Copom mantém Selic em 11%

Semana de 01 a 07 de setembro de 2014
Nelson Rosas Ribeiro[i]

Novamente coube-me a vez de escrever na semana da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), órgão do Banco Central (BC). O resultado da reunião foi o esperado, ou seja, a manutenção da taxa básica Selic em 11% ao ano, assegurando ao país a posição de campeão das maiores taxas de juros do mundo. Embora envergonhado por não obedecer aos patrões, os banqueiros, a taxa foi mantida diante do quadro de desaceleração da economia e mesmo de “recessão técnica” como eles mesmos afirmam.
Os dados comprovam a gravidade da situação. A economia continua desacelerando com taxas negativas de crescimento o que significa crescer como rabo de cavalo, isto é, para baixo. Cai o grau de utilização do potencial produtivo instalado e a produção, as vendas se reduzem e os estoques crescem. A produção é superior à capacidade de consumo da população, ou seja, a oferta é maior que a demanda. E aí surge a questão: por que os preços continuam a subir?
A ciência econômica oficial fica de quatro diante deste problema para o qual não encontra explicação. Só resta aos bons meninos do BC brincar com as palavras e expressões para enrolar o “mercado”. Desta vez eliminaram do comunicado oficial a expressão “neste momento” usada em comunicados anteriores. Agora os analistas se divertem debatendo o significado desta eliminação e com isto fazem suas conjecturas e apostas sobre a evolução futura a fim de maximizar a possibilidade de sucesso de suas especulações financeiras.
Mais uma vez, agindo em sentido contrário, o governo tenta estimular o consumo facilitando o crédito e procurando obrigar os bancos a aumentar a oferta de dinheiro. O que ninguém consegue é convencer uma população endividada a contrair novas dívidas.
Enquanto isso, a situação piora. A queda na venda de carros, em agosto, foi de 7,8%, em relação a julho. No acumulado do ano, já atinge 10%. A Volkswagen teme entrar no prejuízo no próximo ano. Em relação ao emprego, a situação também se agravou, em agosto. O setor de veículos e máquinas agrícolas demitiu mais de 1,4 mil trabalhadores. Desde o inicio do ano já foram liquidados 8.1 mil postos de trabalho, segundo a Anfavea, associação dos fabricantes de veículos. Isto sem contar outros 3,7 mil que estão afastados no regime de layoff. O setor de aços longos já estima uma retração de 3% nas vendas, no total do ano. A produção de aço deverá cair 2,5%, quando comparada com 2013. Em relação ao segundo trimestre de 2013, o deste ano mostrou uma queda de 8,7% na construção civil e de 5,5% na indústria de transformação. Se compararmos o segundo trimestre com o primeiro deste ano as quedas são de 2,4% para a construção civil e de 2,4% para a indústria de transformação.
As estimativas feitas por economistas consultados pelo jornal Valor Econômico, para o Produto Interno Bruto (PIB), ficaram em 0,4%, para este ano. Até o setor de serviços caiu 0,5%, na passagem do primeiro para o segundo trimestre.
O agravante é que os investimentos também se encontram em queda, o que compromete a retomada futura. A formação bruta de capital fixo, indicador que mede os investimentos, caiu 5,3%, no segundo trimestre, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isto a taxa de investimento caiu para 16,5% do PIB, a menor desde 2006.
Por outro lado, diante das eleições, agosto mostrou que o governo vem elevando os gastos, e a meta de 1,9% do PIB, para o superávit primário, por ele mesmo estabelecida, está comprometida, mesmo com a utilização das “receitas extraordinárias”.
Outro agravante da situação é a conjuntura internacional que não apresenta melhora principalmente na União Europeia e na zona do euro. A piora da situação com queda na produção e deflação levou o Banco Central Europeu (BCE) a tomar medidas como a redução das taxas de juros e a compra de títulos ABS (lastreados em ativos) e “covered bonds” (lastreados em hipotecas e empréstimos). É um QE (afrouxamento monetário) envergonhado.
O quadro que tende a se deteriorar cria uma séria dificuldade para a campanha de reeleição da presidente Dilma.



[i] Professor Emérito da UFPB e Coordenador do Progeb – Projeto Globalização e Crise na Economia Brasileira progeb@ccsa.ufpb.br); (www.progeb.blogspot.com).

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Conclusão de curso da pesquisadora Roberta

A pesquisadora do Progeb, Roberta Pereira de Lima, defendeu na quarta feira, dia 20 de agosto, seu trabalho monográfico de conclusão de curso. A monografia é resultado de debates e pesquisas realizadas junto ao PROGEB, sob a orientação do Prof. Emérito e Dr. Nelson Rosas Ribeiro. O tema do trabalho foi a respeito da Desindustrialização. A pesquisadora e agora Economista fez uma análise sobre a situação da indústria do Brasil, identificando a existência do fenômeno e descrevendo suas características. Em breve disponibilizaremos aqui, o trabalho em pdf.