Entrevista concedida no dia 22 de abril no noticiário Jornal da Arapuan sobre o finaciamento dos gastos correntes.
sábado, 25 de abril de 2015
quarta-feira, 22 de abril de 2015
Quem arcará com a terceirização?
Semana de 13 a 19 de abril de 2015
Raphael Correia Lima Alves
de Sena[i]
A
pressão social, maior arma de uma população contra atitudes insatisfatórias de
seus representantes, fortaleceu a luta dos trabalhadores contra a votação do
projeto de lei (PL) 4.330/04, que regulamenta e permite a terceirização de
todos os setores de uma empresa. A pressão nas redes sociais e as manifestações
realizadas por trabalhadores em pelo menos 23 estados do país, ocasionou a
união de petistas e tucanos. O ponto mais polêmico do PL, que visa à
possibilidade de terceirização das atividades-fim das empresas, não foi
derrubado. Entretanto, o adiamento da votação dos destaques, que contava com
todo o empenho do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB/RJ),
pode ser entendido como a primeira derrota sofrida pelo pemedebista.
Até o momento que este artigo foi escrito, a votação dos
destaques não havia sido realizada no plenário. Desta feita, não há como
avaliar se realmente a pressão social foi suficiente. No entanto, alguns pontos
da proposta devem ser analisados. Os defensores apontam vantagens como aumento
da competitividade das empresas e geração de três milhões de emprego. De fato,
uma redução nos gastos com empregados tem o condão de elevar a rentabilidade do
capital, o que ocorrerá se o funcionário pesar menos no orçamento. Além disso,
há uma tendência para que se criem novos empregos, pois, de acordo com a lei da
oferta e da demanda, ficando tudo o mais constante, a redução de preço
(salário) faz com que ocorra uma maior demanda (criação de empregos). Porém,
deve-se analisar como será feita a redução do custo do empresário. O empregador,
quando terceiriza, reduz seu gasto, juntando a isso o lucro a ser realizado
pelo “atravessador”, ou seja, a empresa que ofertará os trabalhadores. Assim, a
diferença a ser refletida na redução de custo de um e no lucro de outro será
retirada de onde? O trabalhador que arcará com a diminuição de seus proventos?
Ou ocorrerá uma mágica matemática para fechar a equação?
Deixando de lado as discussões políticas, o IBC-Br,
índice de atividade do Banco Central, surpreendeu os analistas e avançou 0,36%
em fevereiro, sobre janeiro. No entanto, o resultado não alterou a perspectiva
negativa para o Brasil. A Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e o Banco
Mundial revisaram as estimativas para o crescimento do país neste ano. A
entidade nacional prevê retração de 1,2%, enquanto que o Banco prevê queda de
0,7% do PIB. Seguindo a mesma linha, o governo admitiu, oficialmente, que
haverá encolhimento de 0,9% do PIB e que a inflação, IPCA, encerrará o ano em
8,2%, de acordo com projeção apresentada pelos ministérios da Fazenda e do
Planejamento. Corroborando a previsão de estouro da meta, o IPCA-15, prévia da
inflação oficial, ficou em 1,07%, em abril, a maior taxa para esse mês desde
2003. Assim, como o BC “foi, está e continuará sendo vigilante” com a inflação,
nas palavras de Tombini, o mercado espera uma nova elevação de 0,5 pontos da
Selic, na tentativa de contê-la.
Pelo mundo, as
atenções voltam-se mais uma vez à Grécia. O iminente risco de um calote grego
preocupa as autoridades europeias. De acordo com Wolfgang Schaeuble, ministro
das Finanças da Alemanha, não há perspectiva dos países da Zona do Euro
chegarem a um acordo até o dia 24 de abril, data esperada pela Grécia e os
parceiros europeus para um acordo. Nos EUA, a ansiedade gira em torno da
elevação das taxas de juros pelo Federal Reserve (banco central americano). A
expectativa é o inicio do ciclo de aperto monetário ainda esse ano. Já a China
apresentou a menor expansão em seis anos no primeiro trimestre. Nos três
primeiros meses de 2015 o PIB chinês cresceu 7% em relação ao mesmo período do
ano passado. Para o gigante asiático, acostumado com crescimento de dois
dígitos, o resultado demonstra a já sentida desaceleração econômica do país.
Por fim, em meio à prisão preventiva do tesoureiro do PT,
João Vaccari Neto, e a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), que viu
descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal nas conhecidas “pedaladas
fiscais” no primeiro governo Dilma, a proposta de impeachment ganha força na oposição. De acordo com estimativa do
TCU, o reconhecimento dos passivos gerados pelas “pedaladas” elevará a dívida
pública em R$ 40,25 bilhões de reais, cerca de 0,8 ponto percentual do PIB. Enquanto
o PT se enrola cada vez mais, uma boa notícia para os trabalhadores vem da
atenuação dos ajustes fiscais contidos na MP 665. Alguns pontos serão revisados
e, pelo menos, alterações no seguro-desemprego, abono salarial e seguro-defeso
serão efetuadas.
[i]
Advogado e Pesquisador do Progeb – Projeto Globalização e Crise na Economia
Brasileira progeb@ccsa.ufpb.br);
(www.progeb.blogspot.com).
domingo, 19 de abril de 2015
Entrevista do Prof. Nelson Rosas ao Jornal da Paraíba
No dia 12 de abril de 2015, o Prof. Nelson Rosas concedeu uma entrevista ao Jornal da Paraíba, onde falou sobre a migração dos nordestinos para as outras regiões devido a baixa oferta de empregos e baixa remuneração na nesta região.
quarta-feira, 15 de abril de 2015
Não há cenário ruim que não possa piorar...
Semana de 06 a 12 de abril
de 2015
Rosângela Palhano Ramalho
[i]
Caros leitores, com satisfação fomos informados de
que o Jornal ContraPonto voltaria a circular. A quem interessar, os textos não
publicados aqui podem ser acessados via www.progeb.blogspot.com.
Em nossa última análise publicada no ContraPonto e que tinha como título “Ainda
não chegamos ao fundo do poço”, frisávamos a piora dos indicadores econômicos,
ajudada pela nova política adotada pelo governo. E quando voltamos a olhar a
conjuntura, parece que este poço não tem fundo.
Os dados da Pesquisa Industrial Mensal do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) reforçam este cenário. A produção
industrial de 11 estados, da totalidade dos 15 pesquisados, caiu. No primeiro
bimestre de 2015, no país, a queda chegou a 7,1%. Carro-chefe da crise, o setor
automobilístico registrou 17% de queda nas vendas no primeiro trimestre do ano.
Mesmo assim a rentabilidade das montadoras foi protegida. Segundo o IBGE, contrariando
os cânones da ideologia econômica oficial, o preço dos carros novos subiram
4,4%, desde o início do ano, apesar da queda da demanda.
O mercado de caminhões que já registrou queda das
vendas de 11,3%, em 2014, prevê uma redução que vai de 27% a 42%. Os produtores
Volvo, Ford, Iveco e Scania, acreditam numa melhora ao longo do ano, mas, outros,
como a MAN e Mercedes-Benz, são mais pessimistas e preveem uma queda mais
acentuada das vendas.
A crise se estende ao setor agrícola. No primeiro
trimestre, os fabricantes de colheitadeiras começaram a demitir. A AGCO vai
demitir 153 funcionários em abril, parar a produção durante quatro meses, a
partir de junho, e cancelar os contratos de trabalho de 143 trabalhadores da
fábrica de Santa Rosa (RS). A CNH parará a unidade de Sorocaba (SP) durante
seis dias úteis e planeja dar férias de dez dias em Piracicaba (SP). A John
Deere deseja implantar um banco de horas para evitar demissões em Horizontina
(RS).
A inflação não para de subir. O Índice Nacional de
Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice oficial de inflação, subiu 1,32%, em
março, o que representa uma alta acumulada de 3,83% nos primeiros três meses do
ano e de 8,13% em 12 meses. Segundo o IBGE, mais da metade da alta do IPCA de
março deveu-se a conta da energia elétrica, que apresentou um aumento médio de
22,08%. O Boletim Focus do Banco Central apura que a inflação deve fechar o ano
em 8,2%, a taxa de juros alcançará 13,25% e o PIB cairá -1,01%. Tal cenário
adverso resultou num saque recorde de R$ 11,4 bilhões na poupança, em março.
Enquanto
a situação econômica caminha para o fundo infinito do poço, a popularidade do
governo cai e para contornar as brigas com o PMDB, a presidente nomeou, de
forma atabalhoada, o vice-presidente Michel Temer para a coordenação política. Soma-se
aos problemas a crescente insatisfação social após a aprovação, pela Câmara dos
Deputados, do Projeto de Lei 4.330/04 conhecido como projeto das
terceirizações. A argumentação é a de que o projeto estabelece “regras” para as
relações de trabalho entre empresas contratantes e terceirizadas. Amplamente
rechaçada pelos movimentos sociais, a proposta libera a terceirização para a
atividade-fim da empresa, o chão da fábrica. Entidades representativas dos
trabalhadores prometeram greve geral para 15 de abril, no intuito de contestar
a precarização do trabalho e a perda de direitos sociais. A Federação das
Indústrias de São Paulo (Fiesp) comemorou. Segundo a entidade, tal decisão dá mais
segurança jurídica e estimula a geração de novos empregos.
Como
se não bastasse, nem todos os movimentos sociais estão dispostos a defender
integralmente o governo. O líder do MTST, movimento de sem-tetos, o filósofo
Guilherme Boulos, contesta o governo e afirma que Dilma traiu o povo. Segundo
ele, “não se joga a conta da crise no colo dos trabalhadores, dos mais pobres”.
Por esta razão, o MTST não defenderá o governo porque o mesmo não se fez
defensável.
Para
finalizar, em 12 de abril, o governo enfrentou mais uma manifestação que pedia
o impeachment da presidente Dilma, organizada pelos grupos “Vem Pra Rua” e
“Movimento Brasil Livre”, aliados aos “Revoltados Online” e o “SOS Forças
Armadas” que, acreditem, pedem a intervenção militar e a volta da ditadura.
[i] Professora
do Departamento de Economia da UFPB e pesquisadora do Progeb – Projeto
Globalização e Crise na Economia Brasileira. (www.progeb.blogspot.com)
quinta-feira, 9 de abril de 2015
O governo Dilma em apuros
Semana de 30 de março a 05 de abril de 2015
Nelson Rosas Ribeiro[i]
A notícia de maior
impacto da semana foi a divulgação do resultado da pesquisa encomendada ao
Ibope, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Os dados mostram a
violenta queda da aprovação das pessoas ao governo Dilma. Em março de 2011,
quando começou seu primeiro governo, Dilma tinha a confiança de 74% da
população. Agora, esta confiança está reduzida a 24%. 64% das pessoas
consideram o governo ruim ou péssimo e 78% reprovam a maneira de governar da
presidente A desaprovação das várias ações do governo vai de 64%, para a
política de combate à fome e à pobreza, até 90% para a política fiscal,
passando pelos 85%, em relação à saúde. É um verdadeiro desastre que coloca o
PT no canto da parede e está levando o país a uma crise política de
consequências imprevisíveis.
Na base deste desgaste
certamente está o agravamento da situação econômica e o aprofundamento da crise
que vem fornecendo munição para os agressivos ataques da oposição e minado a
base política do governo.
Os dados continuam a
mostrar este agravamento. Pela primeira vez desde 2001, em 2014, a distribuição
de luz, água e gás caiu 2,6%, em relação ao ano anterior. A formação Bruta de
Capital Fixo, indicador para os investimentos, caiu 0,4%, de outubro a dezembro
de 2014, em relação ao trimestre anterior. Em todo o ano, a queda foi de -4,4%.
Estima-se o agravamento da situação, em 2015. De acordo com a pesquisa “Indicadores
Industriais”, da CNI, a utilização da capacidade instalada caiu de 80,9%, em
janeiro, para 79,7%, em fevereiro, o menor nível desde 2009. Em relação a
fevereiro de 2014, o número de horas trabalhadas caiu 9,5%, a massa salarial
caiu 4,6%, o rendimento médio real, 0,8% e o faturamento 9,6%. Segundo a
Fundação Getúlio Vargas (FGV), entre fevereiro e março o Índice de Confiança da
Indústria recuou 9,2%, atingindo 74,1 pontos, o menor nível desde janeiro de
2009.
O setor automotivo
continua penando. A Renault anunciou um prejuízo de R$ 270 milhões, em 2014. O
uso de “layoff” continua generalizado. A Ford vai demitir 137 operários da
fábrica de Taubaté. A Volkswagen afastará 570 operários em São José dos
Pinhais, no Paraná, com suspensão do contrato de trabalho por cinco meses. O
mês de março está sendo considerado como o pior março em sete anos, no que se
refere às vendas. A Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF),
divulgada pelo IBGE, mostrou um recuo da produção industrial de 0,9%, de
janeiro para fevereiro. Estima-se que esta produção será negativa no primeiro
trimestre e em todo o ano o recuo poderá atingir os 5%. O Boletim Focus do
Banco Central (BC) apresenta a estimativa de queda de 1% do Produto Interno
Bruto (PIB), em 2015. Para a produção industrial a previsão de queda é de
-2,42%.
O pessimismo generaliza-se
e atinge o varejo, os serviços e os pequenos negócios. Uma pesquisa realizada
em 48 milhões de domicílios urbanos, no final de 2014, mostrou que 52% da
população encontra-se comprometida com dívidas e está reduzindo o seu consumo.
Neste clima, o setor
financeiro se retrai, os juros sobem, os empréstimos caem e os especuladores
procuram aplicações seguras como os títulos públicos.
Apesar deste quadro
adverso e do agravamento da recessão, a inflação dispara ultrapassando o teto
da meta e aproximando-se dos 8%. Estamos diante do temido quadro da
estagflação, ou seja, desaceleração com inflação. Isto é demais para as
limitadas mentes que comandam o nosso BC. Nova elevação da taxa de juros Selic
já está sendo prometida para a próxima reunião do Copom.
Somando-se a isto o
impasse na situação internacional, que não dá sinais de recuperação, o
prosseguimento do processo do petrolão, que continua provocando fechamento de
empresas, e as ações do “homem da tesoura” (o ministro Levy) com sua política
fiscal restritiva, 2015 deverá ser um ano terrível.
Esta é a consequência de
ganhar o governo e executar a política econômica do adversário. O governo Dilma
está mesmo em apuros!
[i] Professor
Emérito da UFPB e Coordenador do Progeb – Projeto Globalização e Crise na
Economia Brasileira; nelsonrr39@hotmail.com; (www.progeb.blogspot.com).
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