Participação do Prof. Nelson Rosas no programa JPB 1° edição, da TV Cabo Branco, onde comenta sobre a contração de empréstimo consignado por aposentados. Confira a entrevista aqui.
sábado, 12 de setembro de 2015
terça-feira, 8 de setembro de 2015
Ajuste fiscal do governo?
Semana de 31 de agosto a 06 de setembro de 2015
Raphael Correia Lima Alves
de Sena[i]
Pela primeira vez na
história contemporânea brasileira, uma proposta orçamentária encaminhada pelo
governo ao Congresso Nacional possui uma estimativa de déficit. Apesar de
inusitada, a proposta não fere a Lei de Responsabilidade Fiscal, já que a norma
não exige a obrigatoriedade de superávit fiscal. A manobra transferiu para o
legislativo a difícil missão do que fazer para fechar a conta. Pelo orçamento
enviado, o buraco representa a cifra de R$ 30,5 bilhões (0,5% do PIB) e, em sua
elaboração, pressupõe a projeção de crescimento de 0,2% do PIB, em 2016. Ou
seja, o buraco poderá ser bem maior do que foi divulgado, se considerarmos as
projeções, feitas pelo mercado financeiro, de retração de 0,4%, para o próximo
ano.
No corrente ano, os
resultados econômicos continuam nada animadores. Os dois últimos dados
apresentados pelo IBGE, PIB do 2º trimestre e a Pesquisa Industrial Mensal
(PIM-PF) de julho, indicam que o fundo do poço ainda não está tão próximo como
o Planalto espera. O PIB brasileiro encolheu 1,9% no segundo trimestre,
configurando a chamada “recessão técnica”, quando há dois trimestres
consecutivos de queda do produto. Os maiores recuos foram no investimento, com
retração de 8,1%, e na importação de bens e serviços, com queda de 8,8%. De
positivo apenas as exportações que, na esteira da desvalorização do real,
apresentaram aumento de 3,4%.
Já quanto a PIM-PF, o
resultado negativo surpreendeu até mesmo os analistas. Esperava-se
estabilidade, resultado próximo de zero, mas, no entanto, a queda foi de 1,5%
entre junho e julho. No acumulado em doze meses, a indústria já apresenta retração
de 5,3%, com destaque para os bens de capital, com queda de 16,8%. Para o
economista e professor da Unicamp Julio Gomes de Almeida, a produção da
indústria foi “um desastre”, “parece um filme de terror, tal a envergadura da
retração”. Enquanto a confiança do empresariado e dos consumidores ‘não
retorna’, a ‘contração expansionista’ não apresenta o resultado desejado pela
equipe econômica do governo. Para completar o quadro recessivo, que, segundo
Almeida, foi agravado pelo ajuste, deixando claro que este não foi sua causa, o
Comitê de Política Monetária (Copom), decidiu manter a taxa Selic estável nos
atuais 14,25%. Dificulta-se qualquer possibilidade de recuperação industrial e,
consequentemente, do produto.
O setor externo, único
componente do PIB que apresentou alta, não se mostra de forma tão animadora. A
desaceleração chinesa e a fraca recuperação americana e europeia põe em dúvida
a capacidade de expansão das exportações brasileiras. A diretora-gerente do
Fundo Monetário Internacional (FMI), Cristine Lagarde, afirmou que o
crescimento mundial será mais lento do que o esperado, ao passo que a
Organização Mundial do Comércio (OMC) revisou sua estimativa de crescimento do
comércio mundial este ano, para uma elevação de 2,5%. Se for concretizado, será
uma dos piores resultados dos últimos tempos. Diante das circunstâncias
internacionais, a balança comercial não apresenta um cenário promissor para um
futuro breve, dificultando ainda mais o reerguimento da economia nacional.
A esperança da reversão
da trajetória descendente da atividade econômica passa a ser uma questão de
“confiança” pautada na fé. Os fatores objetivos que poderiam de fato dar
suporte para uma motivação de investidores e consumidores passam a ocupar papel
de coadjuvante. A saída está em fazer todos acreditarem que a coisa irá bem e
tudo irá se resolver. O resultado da soma de taxa de juros elevada, aumento de
tributos, corte de despesas e crescimento mundial fraco, só poderá ser o que já
está acontecendo. Falta a ligação entre tudo isso e a retomada do crescimento,
a conexão entre o que se espera e o que de fato acontece.
Enquanto as
interpretações sobre a atitude do governo enviar um Orçamento com déficit
primário vão desde a “jogada de tolha”, ou seja, a admissão de que não será
capaz de fazer o ajuste no próximo ano, à entrega da responsabilidade do ajuste
ao Congresso, percebe-se o agravamento da crise política em que ele se meteu.
Depois de ir contra suas promessas de campanha e enfurecer parte de sua base eleitoral,
agora passa a fortalecer a oposição com sua impossibilidade de realizar aquilo
que se propôs.
Para que lado ir? Quem
sabe?
[i]
Advogado e Pesquisador do Progeb – Projeto Globalização e Crise na Economia
Brasileira progeb@ccsa.ufpb.br);
(www.progeb.blogspot.com).
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
Só falta confiança!
Semana de 24 a 30 de agosto
de 2015
Rosângela Palhano Ramalho
[i]
Mais uma vez, caro leitor, esta coluna é portadora
de más notícias. É unânime a afirmação de que 2015 e 2016 serão anos perdidos
em termos de recuperação econômica. O cenário externo não está ajudando e a retirada
dos estímulos fiscais internos, adotados nos anos anteriores, piorou a situação
que já era ruim. Só os insensatos e Levy não conseguiram perceber que a
política econômica contracionista não promoveria o tão sonhado ajuste fiscal,
nem tampouco o crescimento econômico.
O setor produtivo agoniza. Paradas de produção,
demissões, redução da jornada de trabalho, layoffs, férias coletivas e altos
estoques, dominam a indústria automotiva. As vendas de caminhões pesados,
essenciais para o transporte das riquezas do país, já caíram 61,1% em 2015, quando
comparadas ao ano passado. Outro setor essencial para o acompanhamento da
conjuntura, o de embalagens, também padece. Segundo estudo da Fundação Getúlio
Vargas (FGV), a produção de embalagens caiu 2,79% no segundo trimestre e será
negativa até o final do ano, fechando com queda acumulada de 3%.
A indústria de máquinas e equipamentos agoniza. O
faturamento líquido do setor caiu 7,7% em julho, comparado a julho do ano
passado. A situação do setor é crítica. Segundo a Associação Brasileira da
Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), as exportações caíram, no mesmo
período, 26% e as importações, 23,6%. A utilização da capacidade instalada, em
julho, foi de 66,6%, inferior à de 2014 quando alcançou 75,4%.
A crise chegou ao mercado de trabalho. Segundo a Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, a geração de empregos desacelerou,
pelo quinto trimestre consecutivo, crescendo apenas 0,2%, no segundo trimestre,
comparada ao segundo trimestre de 2014. A taxa de desemprego cresceu, neste
mesmo período, de 6,8% para 8,3%. O desemprego aumentou principalmente entre os
trabalhadores mais jovens. Na faixa entre 14 e 17 anos, a taxa já é de 24,4% e,
entre 18 e 24 anos, 18,6%.
Enquanto lida com as más notícias vindas da
conjuntura econômica, o governo luta para salvar o ajuste fiscal e equilibrar o
orçamento. Antes do fechamento da proposta de orçamento para 2016, a presidente
Dilma anunciou uma reforma administrativa com corte de dez ministérios. Estão
sendo estudadas algumas alternativas para equilibrar as contas públicas, e
entre elas está a fusão das secretarias da Mulher, dos Direitos Humanos e da
Igualdade Racial num único ministério, o da Cidadania. A presidente anunciou também
que serão cortados 22 mil cargos comissionados.
Agora a base governista digere o anúncio da reforma
e tenta proteger seus apadrinhados, enquanto a proposta de orçamento segue para
o Congresso com previsão irreal de que a economia crescerá 0,5%, em 2016. O ministro
da Fazenda, Joaquim Levy prefere que as contas sejam controladas via cortes de despesas,
mas a presidente Dilma se apressou em apelar para o aumento de receitas, apostando
no retorno da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), tentativa
que, em menos de uma semana, foi totalmente rechaçada.
Em desespero, o governo busca soluções por todos os
lados. Com a saída de Michel Temer da coordenação política, o ex-presidente
Lula, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Armando Monteiro, o
ministro do Planejamento, Nelson Barbosa e a ministra da Agricultura, Kátia
Abreu, articulam encontros da presidente com políticos e empresários. Um jantar
no Palácio da Alvorada reuniu nomes de peso. Estiveram lá Luiz Carlos Trabuco
(Bradesco), Cledorvino Belini (Fiat), Benjamin Steinbruch (CSN), Joesley
Batista (JBS), Rubens Ometo (Cosan), Edson Bueno (Dasa) e Josué Gomes
(Coteminas). Segundo Armando Monteiro, os empresários demonstraram “confiança” no
Brasil e concordaram que o “diálogo” com a sociedade permitirá superar as
dificuldades.
Simples assim. É a demência geral. Repetir o mantra
da confiança tornou-se a única saída para o Brasil.
[i] Professora
do Departamento de Economia da UFPB e pesquisadora do Progeb – Projeto Globalização
e Crise na Economia Brasileira. (www.progeb.blogspot.com.br)
Contato: rospalhano@yahoo.com.br
quarta-feira, 26 de agosto de 2015
Pra onde vamos?
Semana de 17 a 23 de agosto de 2015
Lucas Milanez de Lima
Almeida [i]
A conjuntura brasileira
está um verdadeiro caos. Seja na política ou na economia, os acontecimentos não
têm sido nada favoráveis à maior parte dos brasileiros e nem à popularidade do
governo.
Quase um mês depois do
vice-presidente da República, Michel Temer, ter utilizado frases que irritaram
o Planalto, tais como “Crise desagradável” e “É preciso que alguém tenha
capacidade de reunificar a todos”, ele próprio abdicou do papel de articulador
político. O motivo apontado seria a pouca receptividade de algumas de suas
ações, pelas duas maiores figuras do governo: a presidente Dilma, por exemplo,
não o teria convidado para a avaliação das manifestações pró-impeachment de 16
de agosto, e o ministro Joaquim Levy, que tem sido intransigente com as
demandas advindas do Legislativo.
No dia 20 de agosto, ocorreram,
em 25 estados, as manifestações convocadas por algumas centrais sindicais,
partidos e entidades civis. Nelas o governo recebeu o apoio de 190 mil pessoas,
segundo os organizadores, ou 73 mil, segundo a PM. Nos cartazes eram vistas
palavras em defesa da democracia, manutenção da presidente, agradecimento por
políticas de inclusão, etc. Mas nem tudo foram flores. Muitos dos “manifestantes
pró-Dilma” (entre aspas, pois, para alguns, a manifestação não era a favor da
presidente), embora por razões distintas, expuseram dois temas que têm dado
força ao movimento pró-impeachment: a Petrobrás e a política econômica.
Quanto à Petrobrás, mesmo
que os manifestantes pró-Dilma (sem aspas) tenham levantado a velha bandeira do
“petróleo é nosso”, não se pode deixar de mencionar a Operação Lava-Jato. Segundo
a investigação, a corrupção (maior bandeira dos pró-impeachment) foi tamanha
que a estimativa das multas para as empresas envolvidas pode chegar a R$ 13
bilhões. A Camargo Corrêa, participante do cartel nas licitações da petroleira,
resolveu colaborar com as investigações ao fechar novo acordo para pagar R$
101,6 milhões e entregar provas que enriquecem o inquérito. Segundo as
investigações, existia um “clube VIP” que fraudava as licitações das obras da
Petrobrás, composto por Odebrecht, OAS, UTC, Galvão Engenharia, Andrade
Gutierrez e a própria Camargo. Posteriormente, este cartel cresceu para um
total de 23 participantes.
Em relação à economia, as
notícias da semana são pouco animadoras. Eis algumas manchetes: “Setor de
serviços no Brasil tem pior primeiro semestre desde 2012”, “Emprego na
indústria tem 45ª queda seguida e registra o pior semestre da série histórica”,
“Intenção de consumo recua nas cinco regiões e atinge nível mais baixo desde
janeiro de 2010”, “Indicador da FGV cai pelo 9º mês e não aponta para o fim da
recessão”, “‘Prévia’ indica que PIB caiu mais de 1% no 2º trimestre”, “Mercado
projeta primeiro biênio de recessão em 85 anos” e “Total de desempregados
cresce 56% em um ano”.
Mas a questão que provoca
divergências entre os dois movimentos, pró e contra Dilma, é a política
econômica, ou seja, o que o governo faz para melhorar a economia. Para os
pró-impeachment, basta que se tenha menos Estado e mais mercado, a velha
bandeira neoliberal. Para os “pró-Dilma”, o problema é o Ajuste Fiscal, que, além
de diminuir os gastos do governo e elevar os impostos, tem reduzido os direitos
trabalhistas e derrubado os investimentos públicos em infraestrutura e moradia.
E por falar nisso, o “Partido dos Trabalhadores” vem mostrando novos sinais de
“tucanização” (ou simplesmente neoliberalização): o governo pretende arrecadar
US$ 6 bilhões, só este ano, caso deem certo as operações de abertura de capital
da Caixa Seguridade, BR Distribuidora e IRB Brasil (esta última seria a venda
da participação da União no capital da empresa). Além destas, estão na mira do
mercado a Caixa Econômica Federal, a Infraero e as lotéricas.
Para piorar a situação
dos trabalhadores, um dia antes de suas manifestações, a Ordem dos Advogados do
Brasil e as Confederações Nacionais da Indústria, da Saúde e do Transporte haviam
emitido a Carta à Nação, segundo a qual “O Brasil se encontra numa crise ética,
política e econômica que demanda ações [...] Independentemente de posições
partidárias”. Afirmando ainda que “Deve-se [...] reduzir imediatamente o
tamanho do Estado”, o texto dá um claro sinal de que, para os patrões, com ou
sem impeachment, o importante é que se busque “implementar [...] medidas para
melhorar o ambiente de negócios no país”.
Eis o que nos espera...
[i] Doutorando
do PPGE/UFBA, Professor do Departamento de Economia da UFPB e pesquisador do
Progeb. (www.progeb.blogspot.com; lucasmilanez@hotmail.com)
terça-feira, 25 de agosto de 2015
Seminário Permanente
O PROGEB e o Observatório Econômico convida a todos para assistirem o Seminário a ser realizado na próxima quinta feira, às 15h, na UFPB. Participem!
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