quinta-feira, 14 de abril de 2016
quarta-feira, 13 de abril de 2016
Mais um ano perdido
Semana de 04 a 10 de abril de 2016
Nelson Rosas Ribeiro[i]
É penoso falar de economia no momento
atual. A nação ferve e os ânimos exaltados colocam em confronto duas opções
opostas: “Fora Dilma” e “Não vai ter golpe”. Nesta dicotomia terá de haver um
derrotado. Não há terceira solução. Ninguém a quer. A direita “democrática”,
enquanto finge que não vê, açula os bolsomineons que ladram como cães raivosos
em meio aos apelos ao golpe militar e à restauração da ditadura. O governo joga
todos os seus trunfos para sobreviver. Todos aguardam ansiosos o primeiro
defunto.
Enquanto isso, a economia segue o seu curso
que não é perturbado por maiores interferências, enquanto todos brigam. O
governo não tem tempo para governar, ocupado em esquivar-se dos golpes que
recebe de todos os lados, e a oposição, enquanto critica o imobilismo do
governo, tudo faz para impedi-lo de mover-se.
A vontade que se tem é entrar no debate
político e deixar de lado esta fria e apática economia onde nada de novo
acontece. No entanto, a função desta coluna é analisar a conjuntura. Não nos
resta outra alternativa senão dar conta desta espinhosa missão. Vamos a isso!
As
observações que temos feito em relação à situação precária da economia mundial
continuam a se confirmar. As reações são visíveis. Para estimular a economia o
Banco Central Europeu (BCE) mantém sua ação de comprar papéis de dívida de
corporações. Estima-se que, só de “covered bonds”, títulos de dívida emitidos
por bancos, o estoque do BCE já atinge 200 bilhões de Euros, cerca de 28% do
total do mercado. Agora, a intenção é comprar também papéis de empresas não
financeiras. A Organização Mundial do Comércio (OMC) prevê um crescimento
“decepcionante” do comércio mundial este ano, inferior a 3% em volume. Os
dirigentes do Fundo Monetário Internacional (FMI), da OMC, do Banco Mundial
(BM), da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento (OCDE), e da
Organização Internacional do Trabalho (OIT), reuniram-se com a premier alemã
Angela Merkel, em Berlim, e concluíram que “o crescimento continua medíocre,
frágil e permanecerá abaixo das tendências históricas”. Calcularam que 197
milhões de pessoas estavam desempregadas, em 2015, e mais 3 milhões perderão o
emprego nos próximos dois anos. Nos EUA, levando em consideração esta situação
e a lenta recuperação da economia americana, o Federal Reserve (Fed), banco
central americano, adiou a elevação dos juros afirmando que “os acontecimentos
econômicos e financeiros globais continuam representando riscos”. Com a
preocupação de tentar estimular a economia mundial, todas as propostas são bem
vindas. Adair Turner, presidente do Institute for New Economic Thinking, centro
de estudos fundado por George Soros, propõe a solução conhecida como
“helicopter Money” (jogando dinheiro de helicóptero). Os BCs emitiriam notas
que seriam distribuídas às pessoas de qualquer forma como, por exemplo,
depositando US$ 1.000,00 na conta corrente de todos os cidadãos.
A situação da economia nacional é ainda
mais delicada. Os dados são abundantes e preocupantes. Afirma-se o quadro de
uma típica fase de crise do ciclo econômico. As montadoras têm, no primeiro
trimestre, a pior produção dos últimos 13 anos, de acordo com a Anfavea. No
caso dos caminhões, o prazo sobe para 16 anos e, neste setor, só 20% da
capacidade produtiva instalada está sendo usada. Espera-se uma queda de 10% na
produção de motos e, na de barcos de recreio, a queda já se situa em torno dos
50%. Na construção civil o prejuízo, no ano passado, foi de R$ 2,91 bilhões. A
crise estende-se ao comércio e ao setor de varejo. Cerca de 10% das lojas nas
cadeias de shoppings estão em situação difícil e aumenta o número de empresas
que pediram recuperação judicial ou mesmo falência. No primeiro trimestre os
pedidos de recuperação aumentaram 165,7%, segundo a Serasa. A consequência é o
aumento do desemprego, queda dos salários e da renda e o empobrecimento da
população. Sem demanda, não há vendas, os estuques aumentam e as fábricas
param. Por enquanto não surge nenhuma indicação de que tal quadro tenda a se
inverter.
2016 é um ano perdido qualquer que seja a
solução do conflito político. E é bom rezar para que a economia mundial não
entre em nova fase de crise.
[i] Professor
Emérito da UFPB e Coordenador do Progeb – Projeto Globalização e Crise na
Economia Brasileira; nelsonrr39@hotmail.com; (www.progeb.blogspot.com).
domingo, 10 de abril de 2016
quarta-feira, 6 de abril de 2016
Crise, política e política econômica
Semana de 28 de março a 03 de abril de 2016
Rosângela Palhano Ramalho
[i]
Caro leitor, esta coluna semanal continuará
repetitiva por um longo tempo, pois não há sinais de recuperação da atividade
econômica interna. Pelo contrário, todos os cenários só se agravam. Segundo
estimativa do Banco Central, a produção industrial este ano recuará 5,8% e o
PIB, 3,5%. Estas projeções estão cada vez mais próximas da realidade. Em
fevereiro, o consumo de energia elétrica industrial, caiu 7,2% comparado a
janeiro, segundo a Empresa de Pesquisa Energética. Para este mesmo mês, dados
da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram a elevada capacidade ociosa
da indústria, fechando em 77,6% e a queda de 9,9% no faturamento real das
empresas.
As perspectivas sombrias para o ano chegam, de
maneira mais intensa, ao mercado de força de trabalho. Em fevereiro, foram
fechadas 104,6 mil vagas formais de emprego, conforme pesquisa do Cadastro
Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e
Emprego. E, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do IBGE, a taxa de
desemprego passou de 7,6%, em janeiro, para 8,2%, em fevereiro. O comércio e os
serviços passaram a acompanhar o ritmo de fechamento de empregos da indústria.
O comércio fechou 55,5 mil vagas, em fevereiro, número que somado ao de janeiro
chega a 125,3 mil vagas fechadas no bimestre. A faixa de trabalhadores mais
jovens, entre 18 e 24 anos, é a que apresenta o maior nível de desemprego
(20,8%). Em fevereiro, o rendimento médio real do trabalhador caiu 0,3%.
Com rendimentos e nível de emprego em queda, a crise
não se reverterá. A demanda continuará a cair, com impacto negativo sobre as
vendas. A atividade varejista vai arrefecer e os consumidores não usarão o crédito
para consumir já que não terão como pagar pelo consumo adicional.
Evidentemente, o setor produtor não aumentará a produção. O desemprego vai
aumentar, os estoques vão subir juntamente com a capacidade ociosa e os
investimentos produtivos serão adiados. Há quatro anos seguidos que a
Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos registra queda nas vendas do
setor. Em 2016, a instituição prevê queda de 12% na Formação Bruta de Capital
Fixo.
Tal cenário, não foi produzido pela Operação
Lava-Jato nem pela crise política.
Todos, sem exceção, deveriam saber disso. Antes mesmo de estes últimos
acontecimentos virem à tona, a economia já andava mal. É claro que os dois
fatos afetam negativamente a economia. As descobertas da Lava-Jato provocaram a
rescisão de contratos com as empreiteiras envolvidas nos escândalos, o que
parou obras e gerou desemprego no setor da construção civil. E a crise política
engessou quaisquer decisões de âmbito econômico que deveriam passar pelo
Congresso Nacional. Porém, atribuir à crise econômica apenas os fatores
políticos é, no mínimo, ignorância ou má fé.
O fato é que, desde 2008, o governo tenta minimizar
os efeitos da crise econômica que afetou o mundo e o Brasil. Políticas
anticíclicas foram utilizadas e por algum tempo, produziram efeitos. Veja-se
que, após 2009, o crescimento do PIB foi baixo, mas positivo. Entretanto, o
custo veio sobre a forma de déficit público e, para saná-lo, exigiu-se o ajuste
fiscal, o que seria a solução de todos os nossos problemas. Na perspectiva de
finalmente ter de bandeja as reformas da Previdência, tributária e trabalhista,
o setor empresarial vibrou com a contratação de Joaquim Levy. As decisões
fiscais somadas à política de juros altos permitiram que a crise mostrasse a
sua força.
Mesmo assim, estes fatos não convencem grande parte
dos economistas que ainda teima em atribuir, à política econômica, a culpa pela
crise. Intervenções heterodoxas, segundo estes, provocaram a quebra da
confiança do empresariado e dos consumidores e a economia, diante destas
“experiências”, foi lançada ao precipício.
Agora, de mãos atadas, o governo testemunha o
afundamento da economia e enquanto a batalha do impeachment convulsiona a nação
em uma luta fratricida, todos parecem alheios a uma nova crise internacional que
se aproxima.
[i] Professora
do Departamento de Economia da UFPB e pesquisadora do Progeb – Projeto Globalização
e Crise na Economia Brasileira. (www.progeb.blogspot.com.br)
Contato: rospalhano@yahoo.com.br
sábado, 2 de abril de 2016
ERECO 2016
Participação do Prof. Nelson Rosas na conferência de abertura do Encontro Regional dos Estudantes de Economia (ERECO 2016) com o tema, A teoria dos ciclos e a conjuntura econômica atual no Brasil.
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